Cada vez mais, aparecem no mercado livros de exercícios com as soluções. Até que ponto estas versões são benéficas para o seu filho?
No centro de estudos Bairro de Ideias, secretamente, alguns alunos têm copiado as respostas das soluções. Para nós, professoras, é bastante fácil perceber que alguns nem sequer tentaram perceber o exercício e foram copiar as soluções por ser mais simples. O verdadeiro problema é estes alunos acreditarem que a resposta final é mais importante.
Na verdade, todo o processo de tentar, errar e acertar é mais revelador da aquisição de uma aprendizagem duradoura. É uma das razões para as respostas certas sem cálculos ou justificações serem classificadas com zero pontos. Cada etapa da resolução tem uma cotação e todo o processo é valorizado.
Por isso, não damos as respostas e levamos os nossos alunos a encontrar o caminho para a resposta certa. Assim, neste artigo, fazemos a diferença entre copiar as soluções e consultar as soluções.
1. Copiar das soluções
Quando corrigimos um trabalho seja de resposta curta ou extensa, o nosso principal objetivo é verificar que o aluno tenha de facto percebido os conteúdos aplicados. Assim, vamos fazendo perguntas: porquê a opção a e não b, o significado de determinada palavra… Pelas respostas e os olhares, rapidamente nos apercebemos que algo está errado e que a mentirinha chegou.
A nossa maior dificuldade nem é provar que o aluno copiou as soluções ou mentiu, mas sim mostrar-lhe que não é benéfico para a sua aprendizagem a médio e longo prazo. De que serve termos uma juventude que não desenvolve um pensamento crítico e limita-se a ser um Homem-máquina? Queremos uma juventude, a nossa próxima geração, com capacidade de questionar a sua realidade e argumentar em defesa das suas crenças. O nosso ideal de ser professor não se restringe ao simples processo de transmissão de conteúdos. Desta forma, temos de colocar o aluno perante situações em que tenha de tomar decisões. Com isto, conseguimos orientá-los e fazê-los refletir sobre as suas decisões.
Em suma, copiar as soluções é mais fácil no imediato, mas prejudicial. O seu filho habitua-se a ir pelo caminho mais fácil em vez de ir pelo mais certo. Limita-se a copiar sem pensar, sem perceber. Para a realização de um TPC até pode funcionar, mas quando chegar a altura do teste pouco ou nada ficou retido e os resultados podem ser catastróficos.
2. Consultar as soluções
Porém, em determinadas situações e idades, a consulta das soluções é aconselhada. Vejamos por exemplo, um aluno do secundário que faz uma grande quantidade de exercícios. A maioria dos manuais e cadernos de atividades apresenta as soluções, sem a resolução de todo o processo. O aluno pode verificar nas soluções quais os exercícios certos. Assim, o aluno fica imediatamente a saber quais os exercícios a rever.
De facto, rever a resolução de um exercício torna-se essencial para perceber onde e o porquê do erro. Esta análise permite ao aluno verificar se foi uma distração ou uma má compreensão da matéria. Assim, fica a saber o que mudar para melhorar. É igualmente útil para o professor que fica a saber as reais dificuldades dos alunos e se é necessário voltar atrás.
Com as novas tecnologias, existe outra forma de consultar as soluções: ver a resolução na Internet. De facto, se depois de consultar as soluções e rever a sua resolução o aluno continua com dúvida, então a visualização da resolução pela Internet acaba por ser benéfica.
Alertamos para o uso excessivo deste método. Este somente terá a sua eficácia se o aluno fizer a sua parte, isto é, fazer o exercício primeiro por ele próprio, depois verificar a solução e fazer a revisão da sua resposta. Só depois de todo este processo é vantajoso ir ver a resolução na Internet.
(atualizado em setembro 2020)

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