Este artigo tinha sido pensado para a altura da pandemia, pois sabíamos que muitas famílias estavam a aprender a viver com o sentimento de perda de um familiar, no entanto, com a doença da Ana Maria, não foi possível publicar.
Em outubro de 2022 perdemos a nossa fundadora, Ana Maria Calva. A doença venceu e ela partiu. Deixou dois filhos adolescentes e muitas saudades no Bairro de Ideias. Este artigo é para ajudar todos os adolescentes a superar a morte dos que amam.
Mas o problema do luto e da perda de alguém que amamos é algo intemporal e que vai acontecer sempre. Por isso, este artigo continua a ser necessário, não pelos que partem, mas pelos que ficam e que precisam de reaprender a viver, principalmente pelos filhos da Ana Maria e pelos muitos alunos adolescentes que ela acompanhava.
O luto é um processo difícil para qualquer pessoa e os adolescentes não são exceção. Muitos deles nunca passaram por este processo e precisam do apoio dos adultos para viver este período de tristeza e incerteza.
Neste artigo estão algumas dicas para ajudar os adolescentes a vencer o luto.
Mas antes, é preciso compreender o que é o luto e como nos pode afetar a todos.
O que é o luto?
O luto é a reação emocional natural que uma pessoa sente após a perda de alguém ou algo significativo na sua vida. Geralmente, o luto é associado à morte duma pessoa querida, mas também pode ser desencadeado por outras perdas, como o fim de um relacionamento, a perda de emprego, a mudança para um novo lugar, entre outras situações.
O luto é um processo individual e único para cada pessoa, não há um “tempo certo” para lidar com ele. É normal sentir uma ampla variedade de emoções durante o processo de luto, como tristeza, raiva, culpa, ansiedade e até mesmo alívio. Cada pessoa tem a sua maneira única de lidar com o luto e o tempo que leva para superar a perda também varia de acordo com a pessoa e a situação.
O importante é que a pessoa encontre maneiras saudáveis de lidar com o luto e receber o apoio emocional necessário para atravessar esse período difícil. O apoio de amigos e familiares, bem como a ajuda profissional de um psicólogo ou terapeuta, pode ser útil para ajudar a pessoa a lidar com o luto e superar a perda.
As fases do luto
O luto geralmente é descrito como um processo que pode ocorrer em diferentes fases. Embora as fases possam variar de acordo com as diferentes teorias ou modelos propostos pelos psicólogos, é comum reconhecer algumas das seguintes fases:
- 1 – Negação – É a primeira fase do luto, em que a pessoa tem dificuldade em aceitar a realidade da perda. A pessoa pode sentir-se atordoada e incrédula, e pode ter dificuldade em entender que a perda é real.
- 2 – Raiva – Na segunda fase, a pessoa pode sentir raiva, ressentimento ou frustração em relação à perda. A pessoa pode sentir-se injustiçada, culpando-se ou culpando os outros pela perda.
- 3 – Negociação– Na terceira fase, a pessoa pode tentar negociar consigo mesma ou com um poder superior para recuperar o que foi perdido. Por exemplo, a pessoa pode fazer promessas ou ofertas em troca da recuperação do que foi perdido.
- 4 – Depressão – Na quarta fase, a pessoa pode sentir-se triste e desesperada pela perda. A pessoa pode sentir falta do que foi perdido e ter dificuldade em encontrar prazer noutras situações da vida.
- 5 – Aceitação – Na quinta e última fase, a pessoa começa a aceitar a realidade da perda e a adaptar-se a ela. Isto não significa que a pessoa tenha superado completamente o luto, mas sim que aprendeu a viver com a perda e a encontrar um novo sentido para a vida.
Estas fases não são lineares ou fixas, e nem todas as pessoas experimentam todas as fases. Algumas pessoas podem passar por estas fases numa ordem diferente ou podem voltar a uma fase anterior. O importante é que a pessoa tenha apoio emocional e tempo para passar pelo processo de luto da maneira que for melhor para ela.
O que fazer para ajudar os adolescentes
- Estar presente e disponível: é importante que o adolescente saiba que está lá para o ouvir e o apoiar, mesmo que ele não queira conversar nesse momento. Faça com que ele saiba que pode contar consigo quando estiver pronto para conversar.
- Criar estrutura e segurança: todos temos a necessidade de sentir segurança e certeza nas nossas vidas. Quando alguém próximo morre, essas necessidades são abaladas. Ajude o adolescente a manter rotinas, rituais, tradições, ou, a criar novas rotinas, novos rituais e novas tradições que possam reconstruir a sensação de segurança.
- Respeitar o espaço do adolescente: cada pessoa lida com o luto de maneira diferente. Alguns adolescentes podem querer isolar-se, enquanto outros podem querer conversar mais. Respeite a maneira como o adolescente está a lidar com o luto e dê-lhe espaço para processar os seus sentimentos.
- Ajudar o adolescente a encontrar um propósito: durante o luto, os adolescentes podem sentir-se perdidos e sem rumo. Ajude-os a encontrar um propósito ou um objetivo a seguir, seja ele qual for. Isto pode ajudar o adolescente a encontrar significado para a sua vida e dar-lhe algo pelo qual esforçar-se.
- Encorajar o adolescente a expressar seus sentimentos: é importante que os adolescentes saibam que é normal sentir tristeza, raiva e outros sentimentos durante o luto. Encoraje-o a expressar os seus sentimentos de maneira saudável, seja por meio de conversas, atividades artísticas ou outros meios.
- Procurar ajuda profissional, se necessário: se o adolescente tiver dificuldades em lidar com o luto, pode ser útil procurar ajuda profissional, como um psicólogo ou terapeuta. Eles podem ajudar o adolescente a lidar com os seus sentimentos e a encontrar maneiras saudáveis de lidar com o luto.
Lidar com o luto é difícil para qualquer pessoa, mas é especialmente desafiador para os adolescentes. Como adultos, podemos ajudá-los a passar por este processo, apoiando-os emocionalmente, respeitando sua maneira de viver com o luto e encorajando-os a encontrar um propósito. Estejamos atentos ao estado emocional do adolescente para procurarmos ajuda profissional.
Com o tempo, os adolescentes pode aprender a vencer o luto e encontrar esperança e alegria novamente.
