1º ciclo, 2º ciclo, 3º ciclo, Dicas de Matemática, Secundário

Como escolher a melhor calculadora?

O uso de calculadora na escola é um tema controverso. Há quem não dispense, quem a use de vez em quando e quem a proíba. Tudo depende do ano de escolaridade, dos alunos e da disciplina. Mas como escolher a melhor calculadora?

Segundo o documento das Aprendizagens Essenciais para a disciplina de Matemática, a calculadora deve contribuir para o crescimento individual de cada aluno e fornecer-lhe um conjunto de ferramentas que facilitem a aprendizagem em diversas disciplinas ao longo do seu futuro escolar, independentemente da área que quiser seguir.

Calculadora na aula

1º ciclo

Até ao 4º ano a calculadora não é recomendada. Neste primeiros anos de Matemática, o importante é as crianças aprenderem estratégias de cálculo mental e escrito e reconhecerem as operações de somar, subtrair, multiplicar e dividir.

Ao usar a calculadora para verificar se as contas do seu filho estão corretas está a indicar-lhe que os processos de cálculo que ele está a aprender na escola não servem para nada e que, como tal, ele não tem que os aprender. Ao verificar os trabalhos do seu filho use o mesmo método que ele ou outro que tenha aprendido na sua escola. Evite ao máximo o uso da calculadora em casa.

2º ciclo

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No 5º e 6º ano, a utilização de calculadora é limitada a situações particulares e dependerá do professor e das necessidades de cada aluno. Se os professores recomendarem, a calculadora a utilizar é a básica, com as operações mais simples e sem som.

Neste ciclo, o uso da calculadora permite que os alunos se concentrem mais nos raciocínios e nas estratégias de resolução de problemas em vez de continuarem “presos” aos truques e contas em pé aprendidos até ao quarto ano. Já viu o tempo que o seu filho perde a calcular à mão a área de um círculo multiplicando o valor do raio por si próprio e depois por 3,14159? Nestes casos, é mais importante o seu filho perceber e concentrar-se na fórmula do que na resolução do cálculo.

3º ciclo

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A partir do 7º ano todos os alunos devem possuir uma calculadora científica. Esta calculadora é utilizada na disciplina de Físico-Química e na de Matemática.

Na disciplina de Matemática, há regras para a sua utilização. Haverá muitas situações em que a calculadora não será permitida. De facto, nessa disciplina é mais importante saber como chegar ao resultado do que saber o próprio resultado final. Daí a importância de apresentar todos os cálculos.

Na disciplina de Físico-Química é mais importante os alunos saberem a aplicação das diversas fórmulas de cálculo do que os próprios cálculos. Até porque nessa disciplina, os cálculos podem ser com valores muito grandes.

Secundário

No secundário, para além da calculadora científica, é obrigatório a compra de uma calculadora gráfica para os alunos que estão inscritos em Matemática A, Matemática B, Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS) e Físico-Química. É impossível ter sucesso nestas disciplinas sem as calculadoras gráfica e científica, mesmo se nem sempre sejam permitidas nos testes e/ou exames.

Para que é que serve então a calculadora gráfica? Uma calculadora científica não faz o mesmo? Para que servem os gráficos?

Estas são as perguntas que muitos de nós fazemos na altura de comprar uma calculadora cujo custo é superior aos livros. Estas calculadoras fazem não só gráficos como também podem ser usadas como “auxiliares de memória”, mas a sua funcionalidade é muito maior.

Sabia que é possível ligar estas calculadoras a sensores de temperatura, luz, voltagem, indicadores de pH, ultra-sónico de movimento, entre outros? Graças a estes sensores é possível fazer experiências e em tempo real recolher dados para aplicar em modelos matemáticos. É portanto uma excelente ferramenta de trabalho em aulas práticas de Física, de Química e de Matemática.

Para além desses capacidades tem ainda ótimas ferramentas de cálculo estatístico que facilitam o tratamento de dados na disciplina de MACS e Matemática B.

Calculadora nos exames nacionais

A Direção-Geral de Educação definiu em que condições pode utilizar as calculadoras nos exames e quais podem ser utilizadas.

No exame de Matemática do 9º ano os alunos só podem utilizar calculadora científica no primeiro caderno. A calculadora gráfica não pode ser utilizada neste exame.

No secundário, a calculadora é usada em vários exames, como é o caso de Economia A com o uso de calculadora científica. Nos exames de Matemática A, Matemática B, MACS e Físico e Química A a calculadora gráfica é de uso obrigatório, uma vez que é impossível resolver algumas questões sem recorrer a ela.

Em 2019 definiram-se regras no uso da calculadora gráfica no exame de Física e Química A. As calculadoras gráficas utilizadas nas aulas já podem ser utilizadas nos exames desde que tenham a funcionalidade modo exame. Em 2021 este norma passou a ser imposta às restantes disciplinas que permitem usar a calculadora gráfica. Não precisa ir a correr comprar uma nova, a maioria das calculadoras já tem esta possibilidade configurada. Por outro lado, os programas das calculadoras podem ser atualizados gratuitamente e online.

Como sei se a minha calculadora tem modo de exame?

Visite o site da marca da sua calculadora. Para saber como ativar e desativar o modo exame, basta clicar no modelo da sua calculadora para ver o vídeo explicativo: TI-Nspire; Casio.

6 Dicas para comprar a melhor calculadora

As calculadoras são todas iguais? Nem por isso! Para o ajudar a escolher a calculadora a comprar, veja estas dicas a ter em conta quando comprar a sua calculadora gráfica.

1. Preço

Este é um fator muito importante, mas a calculadora mais barata pode não ser a melhor escolha. Lembre-se que “o barata sai caro”, por isso tenha em conta o custa em relação ao benefício. Poderá ainda recorrer a calculadora em segunda mão ou pedir a familiares ou amigos que já não utilizam as suas.

2. Uso nos exames nacionais

calculadora tem que ter as seguintes características para que o seu uso seja permitido nos exames:

  • ser silenciosa;
  • ser a pilhas ou baterias, sem recurso a cabos;
  • não ter cálculo simbólico (CAS);
  • não ter comunicação à distância;
  • não ter fitas, rolos de papel ou outras formas de impressão;
  • ter o modo exame.

Para ter a certeza se a sua calculadora é autorizada para a realização do exame, consulte a lista de calculadoras do ministério de educação.

3. Facilidade de uso

Há calculadoras mais fáceis de utilizar que outras. Algumas têm menus de acesso rápido e outras necessitam de uma combinação de teclas para aceder às ferramentas, complicando o uso. Nem sempre os professores na sala de aula conseguem ajudar a manusear a calculadora. Fale com o professor no sentido de perceber qual a calculadora que ele recomenda.

4. Transporte na mochila

Lembre-se que a calculadora deve acompanhar o aluno em casa e na escola, pelo que ele tem que andar com ela para trás e para a frente ao longo do dia. Há calculadoras mais finas, leves e resistentes que outras. Escolha a que melhor se adequa ao seu caso.

5. Funcionalidade

As calculadoras não fazem todas o mesmo. Há modelos atualizados e modelos mais antigos com menos capacidades de cálculo e de representação. É como os telemóveis, estão sempre a surgir novos modelos com novas funções, com mais capacidade de processamento e de memória, com programas pré definidos que facilitam em muito o trabalho.

6. Garantia

A calculadora é usada em aula, nos exames e pode ser utilizado na universidade, dependendo da área de formação a seguir. É um bem que adquire para durar mais do que três anos. Nesse período, muitos imprevistos e acidentes podem acontecer. Verifique a garantia do vendedor e a assistência pós venda.

Continua perdido?

Escolha um modelo que satisfaça os 6 critérios, consulte os professores das aulas e os de apoio ou das explicações do seu filho. Fale com outros pais e amigos seus. O importante é saber que tomou a melhor decisão.

O Centro de Estudos Bairro de Ideias também o pode ajudar na escolha. Fale connosco!

(actualizado em julho de 2023)

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