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Como eliminar os erros ortográficos? Dicas simples para ajudar

Frequentemente, chegam-nos aqui, no centro de estudos Bairro de Ideias, vários pais a queixar-se dos muitos erros ortográficos que os seus filhos fazem. Questionam-nos como eliminar os erros ortográficos. As razões desses erros são muitas, tal como a forma de reduzi-los. Neste artigo partilhamos dicas simples para ajudar.

Lembre-se que a língua portuguesa tem as suas características e não é assim tão simples dominá-la. Escrever bem depende de uma boa conjugação de ideias, do domínio da gramática e de uma ortografia correta.

Normalmente, as crianças, no início da aprendizagem, não cometem muitos erros. No entanto, com o aumento do número de palavras aprendidas e do tamanho de textos escritos, é aparecerem cada vez mais erros. Não se assuste, é natural.

Errar é bom

Conhece a pedagogia do erro? É a forma de aprender errando, ou seja, o erro é necessário para o aluno conseguir perceber e reter a nova informação.

O erro é natural porque a autonomia cresce e o aluno arrisca cada vez mais a escrever. Esta tomada de risco é essencial para incentivar a criatividade tanto no conteúdo e na forma como escreve. Ninguém consegue explicar o seu pensamento somente com meia dúzia de palavras.

Sendo assim, esta pedagogia trabalha em duas fases. Primeiro, a fase de produção e depois a correção. A primeira tem como objetivo a passagem para o papel das ideias. A segunda serve para reler, analisar e corrigir os erros de forma a garantir a clareza da mensagem.

Resumindo, o erro não é razão para castigo ou gozo, que podem levar ao bloqueio da escrita, mas sim o ponto de partida para aprender.

Quais os tipos de erros?

Nem todos os erros são iguais e é importante perceber a origem deles para melhor serem corrigidos.

A consciência fonológica é a capacidade de identificar e usar os sons da fala. Assim, se o seu filho oralmente pronuncia de forma incorreta, então também irá escrever incorretamente. Se, para ele, gato e cato ou pato e bato são as mesmas palavras, se descrição e discrição não tem diferença, então o seu filho não reconhece os sons orais e por isso não serão bem escritos.

Outro erro comum é a má divisão das palavras, ou seja, juntar várias palavras numa só. Estes tipos de erros mostram que o seu filho escreve como fala. Cuidado com os sotaques regionais! É essencial explicar ao seu filho que existe uma diferença entre a pronúncia e a escrita.

A falta de conhecimento das regras de morfologia é outra causa de muitos erros. Estas regras são aquelas que nos permitem fazer a concordância entre o singular e o plural, o feminino e o masculino e construir famílias de palavras, entre outras. Este tipo de erro é mais facilmente corrigido quando o seu filho já estudou as regras de gramática que estão na base do erro.

Saber as regras de ortografia ajuda em muito a redução dos erros. Existem diferentes forma de escrever os mesmos sons, como por exemplo o som ⌈s⌉ pode ser escrito de várias maneiras, “ss”, “ç”, “s”, “c”. Nem sempre o seu filho tem consciência desta variedade. Os erros de acentuação são também frequentes, tal como a confusão na escrita de palavras diferentes mas pronunciadas de forma igual.

Além de saber que tipo de erros o seu filho comete, é essencial ter em mente que o erro varia consoante a idade e a aprendizagem.

Dicas

Os erros são bons porque aprendemos com eles. Mau é continuar com estes erros. Assim, é necessário encontrar estratégias para acabar ao máximo com eles. Seguem algumas dicas que poderão ajudar o seu filho a eliminar os erros ortográficos.

Gerais

Ler e escrever muito

A primeira dica, e talvez a mais óbvia, é ler e escrever muito. Falamos em ler com atenção e desde muito cedo. A leitura permite aos jovens ter um contacto com a ortografia correta das palavras e indiretamente memorizá-las.

A fase seguinte é escrever e usar no contexto as palavras aprendidas. Depois de escrever, é necessário rever e analisar os eventuais erros para percebê-los e eliminá-los. Todo este processo deve ser feito regularmente para se tornar automático e melhorar a produção escrita.

Consultar um dicionário

Em caso de dúvida, consulte um dicionário. No centro de estudos Bairro de Ideias, todos os dias incentivamos os nossos alunos a procurar no dicionário as palavras cujos significados desconhecem ou não têm a certeza da ortografia. Apercebemo-nos que muitos deles, até os mais velhos, têm de ser ensinados a usar corretamente um dicionário.

Fazer exercícios específicos

Existem alguns exercícios que misturam palavras bem escritas com outras mal escritas. Este tipo de exercícios não são convenientes uma vez que involuntariamente o seu filho pode gravar na sua memória a forma incorreta da palavra.

Procure exercícios que treinam a rotina e a memorização da palavra corretamente escrita. Pode optar por jogos como o dominó de palavras, o scrabble ou as palavras cruzadas. Aproveite e faça destes exercícios uma atividade em família. Aprender a divertir-se é sempre muito melhor!

Usar o corrector ortográfico do Word

A grande maioria dos textos, hoje em dia, são escritos no computador. Peça ao seu filho para ler em voz alta o texto. Alguns erros vão imediatamente saltar à vista. Este passo permite mostrar que alguns erros são de distração e que com mais concentração podem ser reduzidos.

A seguir, aproveite ao máximo a ferramenta e use o corretor ortográfico para assinalar os erros, mas não para corrigi-los automaticamente. O seu filho terá de analisá-los e propor uma alternativa. O facto de as palavras serem corrigidas por eles e não copiadas de uma sugestão, permite a interiorização da forma correta de escrita.

Vamos a exemplos concretos…

Verbos acabados em -am ou -ão

É frequente existir confusão com a terminação dos verbos conjugados no pretérito perfeito do indicativo com aqueles conjugados no futuro. Uma forma de confirmar qual a forma correta de conjugar o verbo é acrescentar as palavras “ontem ” e “amanhã” à frase. Assim:“Ontem, os alunos estudaram” (pretérito perfeito do indicativo) /“Amanhã, os alunos estudarão para o teste” (futuro do indicativo).

mau ou mal / bom ou bem

Lembre-se que “mau” é contrário de “bom” e “mal” oposto de “bem”. “Mau” e “bom”, sendo adjetivos, admitem a variação no feminino. Assim, o mau humor é uma má companhia e o bom humor acompanha a boa disposição. Por outro lado, o bem e o mal são invariáveis quanto ao género.

mas ou mais

“Mas” serve para unir dois pedaços de frases com ideias contrárias. Em caso de dúvida, substitua por “no entanto”. Funciona? Então a palavra correta é “mas”.
O advérbio “mais” pode ser substituído por “menos” uma vez que ambos indicam a quantidade.

Esta ou está

Os acentos fazem muita diferença na leitura de textos e não são para menosprezar. Por isso, cuidado com “esta” que se refere a objetos próximos e pode ser substituída por “aquela”. No entanto, “está” é um verbo essencial à frase e em caso de dúvida pode trocar por “estava”.
Temos verificado, infelizmente, que os mais jovens ainda cometem outro erro. No lugar de “está” escrevem “*tá”, acreditando que de facto o verbo *tar existe! É importante reforçar que nem sempre a forma como se fala é a correta.

A ou há

O verbo “há” pode ser substituído por “existe” ou por “havia”. Nas expressões de tempo, refere-se a momentos do passado. “Há três canetas na mesa” / “Há dois minutos, vi o João.”
A palavra “a” nas expressões de tempo diz respeito a um tempo no futuro. “Daqui a dois minutos, vou ter com o João.”

Isso ou isto / Esse ou este / Essa ou esta

Os pronomes “isso”, “esse” e “essa”, com as respetivas variações no plural, referem-se a ideias já apresentadas e relativamente perto. “Estudou todos os apontamentos. Fez isso para ter boas notas nos testes.
Os outros pronomes são usados para ideias que serão de seguida apresentadas, incluindo com uma certa distância. “Isto é certo: se me dedicar e estudar as notas dos testes vão subir.”

Obrigado ou Obrigada

Sendo “obrigado” um adjetivo, terá de fazer a concordância com o nome a que diz respeito. Assim, uma mulher diz “obrigada” e um homem “obrigado”.
A palavra “obrigado” também pode ser usada em expressões e, nesse caso, é sempre com a forma masculina. Geralmente, está isolado do resto da frase pela vírgula. “Obrigado, assim também eu!”
Resumindo, os homens dizem sempre “obrigado” enquanto que a mulher poderá dizer as duas formas consoante o contexto.

Onde ou Aonde

As duas palavras dizem respeito a lugares. No entanto, “aonde” implica uma noção de movimento e é pedido por verbos que obrigam o uso da preposição “a”: ir a algum lado, levar a um lugar. Em caso de dúvida, pode substituir o advérbio por “para onde”. “Aonde me levas?”/ “Aonde vamos estudar?”
A palavra “onde” refere-se a locais, sem que seja necessário movimento. “Onde está a minha mochila?”/ “Onde é o Bairro de Ideias?”

O pronome “onde”

“Onde”, na maioria dos casos, serve para exprimir um local. Por isso, se a ligação de duas frases não é o lugar, então escolha as expressões “em que” ou ” no qual” em vez de “onde”.

O uso de “mesmo”

A palavra “mesmo” não pode substituir uma pessoa. Opte pelos pronomes “ele” ou “eles”. “Os alunos foram para o centro de estudos Bairro de Ideias. Eles estudaram para os exames.”

Plural e singular dos verbos

Parece algo impossível de errar, mas acontece frequentemente, principalmente com os verbos “fazer” e “haver”. Quando estes dois verbos são usados em expressões de tempo não admitem o plural, ou seja, “Há duas semanas que estudo para os exames” ou “Faz quatros anos que conheço as professoras.”
Também existe a situação do verbo estar antes do sujeito, “Pousaram os pássaros na árvore.”, ou o sujeito e o verbo estarem afastados na frase por outros elementos “O número dos alunos que já se inscreveram no centro de estudos Bairro de Ideias é 150.”

Expressões com várias palavras

São tantas as expressões que deixam dúvidas e que acabam por ficar mal escritas! Fizemos uma pequena seleção para ajudar.

  • Com certeza ou concerteza?

Com certeza, em duas palavras, é a forma correta. Lembre-se que pode no meio da expressão incluir a palavra toda: “com toda a certeza”.

  • De repente ou derrepente?

De repente é sinónimo de repentinamente. Quando forma o sinónimo, não vai buscar a palavra “de”, porque a expressão escreve-se separadamente.

  • De novo ou denovo?

A expressão de novo escreve-se separado, uma vez que significa que algo é feito outra vez como se fosse novo.

  • Através de ou por meio de?

As duas formas são corretas, mas com significados diferentes. Por meio de implica a ideia do uso de um instrumento, ou seja, “Os alunos praticam por meio de fichas.”
A expressão através de tem o sentido de atravessar algo, isto é, “Vejo o terraço do Bairro de Ideias através da sala de estudo. “

  • Por que, porque, porquê ou por quê?

Estas quatro expressões baralham qualquer um.
A expressão por que em duas palavras é usada no início das perguntas,“– Por que vais ao Bairro de Ideias?”.
Para responder a essas perguntas, utiliza-se o porque,“–Vou ao Bairro de Ideias porque me ajudam a estudar.”
A expressão por quê, em duas palavras e com acento, aparece no fim das frases,“– E não terminaste o trabalho, por quê?”.
Para exprimir uma razão, usamos a expressão o porquê,“– Não sei o porquê do trabalho ser tão grande?”

  • Senão ou Se não?

As duas expressões existem. Se não surge para negar uma ação cujo sujeito não está escrito, “Se não estudares, não consegues melhorar as notas.”. A palavra senão tem o significado de oposição, “Tens de estudar, senão reprovas o ano.”
Em caso de dúvidas, tente colocar um pronome pessoal entre o “se” e o “não”. Com a expressão se não, a frase fica correta, “Se tu não estudares, não consegues melhorar as notas.” Com a outra palavra, a frase fica esquisita.

Concluindo…

Se os erros se mantiverem ao longo de vários anos de escolaridade, procure ajuda junto de quem sabe. Fale com os professores ou peça ajuda junto de centros de estudo e de explicações.

Leia e escreva muito e seja um exemplo para o seu filho!

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