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8 vantagens dos cursos profissionais

No Bairro e Ideias, sentimos a obrigação de orientar os nossos alunos. Independentemente de trabalharem connosco no ano seguinte ou não, criamos uma ligação com eles que nos leva a ajudá-los a fazer a melhor escolha possível para o futuro. Falamos com eles sobre as diferentes vantagens dos cursos profissionais.

Geralmente, estas escolhas difíceis do futuro surgem no 9º ano. Os pais vão falando com os filhos, porém, estão condicionados com os seus próprios sonhos para os filhos. Estes sonhos de um futuro melhor juntamente com a falta de informação, pode ter como consequência a ausência do conselho mais adequado para o filho.

Como orientar o seu filho?

No Bairro de Ideias, conseguimos uma ligação bastante forte com os alunos, uma vez que, trabalhamos de forma individual e passamos muito tempo com eles. Com efeito, passamos mais tempo com os alunos do que a maioria dos professores na escola. A nossa experiência em contexto escolar, a nossa formação e a nossa constante procura de novas soluções ajuda-nos a informar melhor os nossos alunos.

Quando se aproxima o final do ano letivo, são muitos os alunos e pais que nos procuram e em conjunto tentamos encontrar o caminho mais adequado para o futuro dos nossos jovens.

Com efeito, este artigo é especialmente dirigido a quem procura informações ou quer esclarecer dúvidas sobre o caminho a seguir após o 9º ano. Uma das possibilidades é o ensino profissional. Esta via tem crescido muito nos últimos anos e tem sido alvo de muitos investimentos por parte do Governo. No entanto, sentimos que ainda persistem, alguns estereótipos que devem ser esclarecidos aos pais e alunos.

Desta forma, neste artigo apresentamos as vantagens de seguir a via profissional. Vamos igualmente explicar as diferentes possibilidades que oferece para o futuro dos nossos filhos no mercado de trabalho ou no seguimento dos estudos para o ensino superior.

Porquê um curso profissional?

Os nossos filhos não são todos iguais, por isso, é normal não seguirem todos os mesmos cursos. Há quem goste de matemática, outros de línguas, outros que querem estar ao ar livre e outros que preferem ficar fechados em frente a um computador. Por tudo isto, faz todo o sentido haver vários caminhos para chegar ao objetivo. Uns escolhem os cursos gerais e outros escolhem os cursos profissionais.

Os cursos profissionais são só para alunos fracos?

Sim e não! A resposta a esta pergunta não é fácil!

Há alunos com um percurso escolar difícil e que nunca gostaram de estudar. Este tipo de aluno simplesmente quer acabar a escolaridade obrigatória e prefere seguir para um curso profissional.

Há, igualmente, o aluno que não percebe o sentido de estudar tantas disciplinas. Este precisa do objetivo de trabalhar para uma profissão. Quem sabe se depois do curso não quer continuar a aprender e opta por entrar na faculdade.

O ponto em comum entre todos os alunos, estejam eles a pensar na via profissional ou não, é o futuro deles. A entrada no mercado de trabalho e na vida adulta não é fácil, contudo, pode ser simplificada se os nossos filhos estiverem motivados. Para isso, é essencial eles fazerem muitas pesquisas relativamente ao mundo do trabalho e descobrir o que gostariam ou não de fazer.

Quem faz um curso profissional não pode ir para a universidade?

Não, acabar o secundário através de um curso profissional não fecha portas.

Pelo contrário, os alunos dos cursos profissionais estão preparados para exercer uma profissão e ,em paralelo, estudam áreas disciplinares com todos os conteúdos das provas de ingresso para a entrada para a faculdade.

Além disso, ainda ganham competências transversais úteis para o mundo empresarial, como a apresentação de projeto ou o contacto com clientes, adquiridas durante os estágios profissionais.

E ainda, cada vez mais, as grandes empresas procuram os alunos vindos de cursos profissionais. Isto prova que estes cursos são uma excelente aposta para o futuro dos nossos filhos.

Quais os objetivos de um curso?

Dependendo da motivação dos alunos, os objetivos também variam. Contudo, todos eles falam em “emprego” e “mercado de trabalho”. Podem entrar sem saber muito bem se este é o caminho certo, contudo, à saída do curso, as ideias são claras e precisas.

Durante o curso, os alunos vão pondo em prática os conhecimentos adquiridos nas aulas teóricas. Assim, é mais simples e motivador estudar Física, Matemática ou Inglês. A contextualização da teoria é essencial e desperta curiosidade em aprofundar esses mesmos conhecimentos.

Durante o curso, os alunos têm oportunidades de estagiar em contexto empresarial e aprender com quem tem experiência. Esses estágios são uma porta aberta para o mercado de trabalho. Muitos alunos, após o estágio, são contratados pelas empresas onde estagiaram. Outros fazem contactos que facilitam a procura e o primeiro emprego.

Todos os alunos têm em vista trabalhar ou continuar a formação. Contudo, um curso profissional pode não ser suficiente a médio ou longo prazo para evoluir na carreira. Mais tarde, já no mundo do trabalho, surge a necessidade de fazer uma formação superiores na mesma área, em regime pós-laboral ou formações específicas.

Existem muitas ofertas, inclusive no estrangeiro com o programa ERASMUS + que inclui estágio de seis meses.

As 8 vantagens dos cursos profissionais

1. Aprender uma profissão 

Os cursos profissionais têm uma componente teórica e outra prática. A parte teórica é constituída por disciplinas científicas e outras especializadas na área da profissão. A prática é feita através de estágios e em contexto de trabalho. Deste modo, a preparação para a profissão é global.

É importante salientar que a sociedade mudou e que ter uma licenciatura já não é garantia de emprego. Vários estudos mostram que as empresas consideram as áreas gerais do secundário como desajustadas para o mercado de trabalho e preferem contratar alunos saídos do ensino profissional. 

Além disso, escolher um curso profissional é a maneira mais rápida de ver o objetivo profissional concretizado.

2. Perceber como funciona o mundo do trabalho 

Quantos de nós, pais, já não dissemos aos nossos filhos: “Quando começares a trabalhar, vais ver o que a vida custa?”

Ora, aqui está a oportunidade para o seu filho perceber como funciona a vida no mundo do trabalho. As escolas profissionais são uma forma de mostrar ao seu filho que ter um emprego engloba vários outros aspetos além de saber trabalhar, como as relações entre as pessoas ou as regras empresariais.

3. Realizar um estágio profissional

A ANQEP (Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional) estipula que a componente técnica de cada curso é no mínimo de 420 horas de formação em contexto de trabalho. Estas horas são distribuídas ao longo dos três anos do curso consoante a profissão aprendida. Os alunos estão efetivamente a trabalhar, com horários e objetivos a cumprir.

As escolas são responsáveis por garantir a existência desses estágios em empresas ou organizações locais. Graças aos protocolos, as escolas profissionais conseguem, junto das empresas locais, dados concretos sobre as saídas profissionais. Estas empresas são seguras e credíveis para a realização de um estágio profissional e/ou para a eventual contratação no fim do curso.

4. Estabelecer contactos com empresas e outras entidades

Já percebeu que os cursos profissionais estão dirigidos para o mercado de trabalho. Contudo, sabemos que nem todas as áreas de trabalho estão a precisar de contratar. As escolas profissionais têm contactos junto à ANQEP para saber quais as necessidades juntos das empresas a nível nacional, regional e local. Com efeito, é a partir dessas necessidades que se define como se organizam os cursos profissionais e quais são oferecidos. 

Por outro lado, as escolas estabelecem protocolos com vários organismos da região onde se inserem, de modo a conciliar a formação dos alunos com a inserção no mercado de trabalho de forma mais eficiente.

5. Facilitar a entrada no Mercado de Trabalho 

Dados estatísticos de 2013, revelam que 70% dos alunos do ensino profissional estão a trabalhar seis meses depois de acabar o curso contra 29% dos alunos dos cursos científico-humanísticos. E ao fim de um ano, estão 85% dos alunos empregados. Nos tempos que correm são números que não podemos ignorar. 

6. Estar acompanhado 

Os professores acompanham os alunos ao longo de todos os anos de escolaridade. No caso dos alunos do ensino profissional, esse acompanhamento não acaba com a conclusão do curso. Os professores têm a preocupação de recolher e analisar a proposta de estágio e ou de contratação da empresa onde os alunos realizam a experiência em contexto de trabalho.

A escola confirma, assim, que tipo de função terá de ser desempenhada, que tipo de contrato, a duração, a progressão na carreira e a possibilidade de completar a formação. Todas essas informações são uma mais valia para os alunos e um descanso para os pais que vêem os seus filhos acompanhados no início das suas carreiras profissionais.

7. Melhorar as notas 

Antigamente, existia a ideia que os cursos profissionais eram unicamente para os alunos que não tinham qualquer rendimento escolar. Hoje em dia, não é de todo esta a realidade. Vários estudos mostram que 63% dos alunos têm um aproveitamento superior à média.

O ensino profissional é um ensino de qualidade e exigente. Pois só assim se pode garantir que os alunos possam seguir a formação para o ensino superior. Portanto, as escolas profissionais têm de preparar os alunos na vertente laboral e científica.

Para os alunos que acabam o 12º ano nas áreas científico-humanísticas apenas têm dois caminhos: ou entram na faculdade ou têm de procurar uma formação para trabalhar.

Por outro lado, os alunos do ensino profissional, como conseguem boas notas, podem entrar na faculdade e ainda estão aptos a trabalhar logo à saída do 12º ano.

8. Entrar na faculdade 

São muitos os pais que ficam desolados porque o filho falou em ir para um curso profissional e pensam que assim não pode entrar na faculdade.

Porém, podem ficar felizes, pois entrar no ensino superior com um curso profissional é possível.

Por vezes, até é mais vantajoso, porque ao longo do curso os alunos ganharam ritmo de trabalho e são expostos a um nível de exigência similar ao do ensino superior. Alguns cursos têm vagas exclusivas para alunos dos cursos profissionais, o que é uma excelente vantagem.

Como existem cada vez mais alunos das escolas profissionais a candidatar-se ao ensino superior, existem cursos específicos nas escolas politécnicas e as faculdades têm um número de vagas reservado. Existem também cursos profissionais com equivalência a curso superior. Além disso, as formas de candidatura têm vindo a adaptar-se aos alunos com este currículo específico. 

Testemunhos

de uma professora…

“No início da minha carreira de professora, dei aulas a alunos de cursos profissionais das áreas de Gestão e Educação de Infância, desde o primeiro ano ao 3º ano. Verifiquei que são alunos que trabalham muito bem em equipa, trabalham juntos para um todo. As turmas eram muito heterogéneas, tinham alunos vindos diretamente do 9º ano, outros vindos do secundário geral e outros vindos dos cursos de educação e formação. Contudo, todos tinham em comum o interesse em seguir a profissão do curso onde estavam inscritos e alguns queriam aprofundar conhecimentos na área para entrar na faculdade.

Enquanto estudante, ouvi muitas vezes dizer que os alunos iam para os cursos profissionais porque não queriam estudar ou porque queriam facilitar a entrada na faculdade pelas notas inflacionadas nestas escolas. A realidade a que assisti é bem diferente.

Sou professora de matemática, uma das disciplinas nucleares e sujeita a exame nacional. Nos cursos profissionais, o currículo da matemática é muito semelhante ao currículo de matemática B. Os conteúdos são os mesmos, a abordagem é que é diferente. Os exercícios são escolhidos de forma a ir de encontro à área curricular do curso. Deste modo, os alunos confirmam a necessidade destes conhecimentos e sentem -se capazes de resolver situações no seu futuro profissional. Claro que desta forma os alunos ficam mais interessados no que temos para lhes ensinar.

A maior dificuldade é a obrigatoriedade de todos os alunos terem mais de 9,5 valores em todos os módulos. Nenhum aluno termina o curso ou vai para estágio com módulos por fazer. E se faltarem terão que repor as horas e fazer o estudo sozinhos.

Todos os meus antigos alunos desses cursos estão hoje a trabalhar nas áreas do curso. Alguns até complementaram a formação com o ensino superior.”

de uma aluna de contabilidade…

“Gosto muito do meu curso, escolhi este curso porque quero tirar contabilidade para o meu futuro. A carga horária pode ser puxada e cansativa ao mesmo tempo, mas vale a pena fazê-lo, estamos a lutar pelo nosso futuro.

Nas aulas não damos só teoria, damos mais prática e trabalhamos imenso para termos uma boa postura, uma boa apresentação no local de trabalho e sabermos trabalhar em equipa. 

Somos todos os dias trabalhados e postos à prova para concluirmos os estágios. Durante dois anos, estamos a estagiar nas nossas férias e aplicamos todos os nossos conhecimentos e as nossas práticas ao longo do ano e o que aprendemos ao longo dos três anos. “

Concluindo, os cursos profissionais mudaram muito nos últimos anos. Hoje em dia, é extensa a lista de cursos propostos. Talvez seja bom atualizar as ideias que tem relativamente a eles. No final, o que qualquer pai quer para o seu filho é que este tenha sucesso na sua vida e a via profissional é um caminho tão digno como qualquer outro.

Atualizado em maio 2024