Como fundadoras do Bairro de Ideias, sabemos o que significa para nós, mas queríamos saber o que é para os outros. Por isso, desafiamos todos os nossos alunos e professores a escrever quatro palavras que caraterizassem o Bairro de Ideias do ponto de vista deles.
Mais uma vez, todos olharam para nós com aquele olhar “lá estão elas outra vez” e mais uma vez todos aceitaram o desafio. Divertiram-se, atreveram-se e deram-se a conhecer.
Cada um escreveu com a cor e da forma que quis no painel. O resultado foi mais do que esperado: fenomenal!
A professora Ana Maria foi desafiada a escrever um texto com todas as palavras escritas no painel. As palavras sublinhadas foram as escolhidas pelos alunos e professores. O resultado foi este:
O que será?
Algures num recanto maravilhoso deste mundo, existem seres fabulosos capazes de feitos inimagináveis. Tudo começou quando…
– Isto é tão cansativo! Estou farta desta rotina que se está a tornar num inferno. Sofremos para obter resultados sem qualquer ajuda e ainda faz exigências! Parece tortura! – Desabafa a bruxa Aramia.
– Que nervos! Tens toda a razão, está a ficar insuportável. Temos de ter uma ideia genial e massacrar este ogre sem neurónios. Em que estás a pensar? – Perguntou a bruxa Dacília.
Assim se iniciou a aventura inovadora de duas amigas felizes com a cabeça cheia de esperança e motivação que só queriam ser tratadas com igualdade. Por onde haveriam de começar? Cada uma tinha as suas obrigações e, por mais custoso que fossem, não poderiam deixar de as cumprir.
Primeiro decidiram encontrar um local acolhedor e com silêncio para definir objetivos, conversar e fazer crescer as suas ideias. Ao fim de uma semana fatigante à procura de algo especial, descobriram uma gruta com entrada exclusiva perto de uma fonte. A acessibilidade da gruta exigia força, pois o perigo obrigava a corrigir constantemente os passos. Aquando da primeira reunião, o pensamento de ambas fervilhava de ideias, umas mais loucas que outras. A vontade e a ambição provocavam discussões. Ao cabo de umas horas, inventaram um projeto criativo com o qual o ogre seria vítima da paixão arrematadora das bruxas desalmadas.
Uma vez estipulado o objetivo, chegava a hora de o pôr em prática. No entanto, faltava-lhes o conhecimento especializado necessário. Tornaram-se boas estudantes e investiram horas no estudo. Leram todas as letras relacionadas com o rigoroso projeto. Investigaram de onde e de quem conseguiriam as informações sem levantar suspeitas do ogre. A bruxa Dacília encontrou vários feiticeiros que se disponibilizaram a educar as bruxas na arte da magia negra. Muitos ficaram espantados com a velocidade de aprendizagem e a disciplina imposta. Pouco a pouco, receberam a influência dos inimigos do ogre que começou a suspeitar de algo estranho. As bruxas usaram da sua criatividade para comunicar entre elas sem chamar a atenção. Foi assim que desenvolveram um poder importante, o de ser videntes. As feiticeiras aprenderam uma bruxaria incrível e começaram a aplicá-la no seu projeto secreto. Simultaneamente, mantiveram os encontros com os gnomos que reclamavam também das atitudes irritantes do ogre, revelando a igual falta de paciência. Eles também eram vítimas da ditadura intensiva. No entanto, fazendo parte da base da comunidade, nada podiam tentar. Desta maneira, as feiticeiras trabalharam a contra relógio, pois não era só o futuro delas que estava em perigo.
Decorridos seis meses, as amigas bruxas reuniram-se outra vez na gruta. O projeto estava quase pronto e somente bastavam estudar alguns pormenores. Com empenho e perseverança, andaram à volta com a matemática e chegaram a uma conclusão inesperada. O plano estava num ponto inexcedível. Ou revelavam parte do plano e teriam de sofrer com o tiroteio do ogre ou desistir de tudo. Era agora ou nunca! Será que eram capazes? Dacília e Aramia nutaram e o desespero entrou nas suas recentes almas. Iriam desperdiçar meses de dedicação e aprendizagem? Antes de tomar qualquer decisão teria de fazer prova de sensatez. Nessa manhã, adiaram a decisão inevitável e despediram-se a chorar, sabendo que o trabalho mais desafiante viria a seguir.
Passou uma semana. Cheias de dúvidas e sentimentos paradoxais, Dacília e Aramia foram-se cruzando. Olhavam-se com carinho e companheirismo, pois sabiam exatamente o que a outra pensava. Nestes dias, sentiram a confiança a tremer e o peso da responsabilidade. Porém, neste ambiente desesperador, empregaram a sua resiliência e ganharam a certeza que a sua amizade seria inigualável.
Chegado o momento, juntaram-se na gruta que, naquele dia, parecia mais sombria que o costume. Tudo estava parado à espera da decisão final, nem as plantas faziam fotossíntese!
– Então, o que fazemos? – Perguntou Aramia com curiosidade em saber a resposta.
– Acredito que devemos tentar.
– Esplêndido! Estava a pensar o mesmo. Vamos aproveitar a oportunidade. Escreve o que te digo: vamos deixa marca.
Com a renovação da esperança, recriaram o plano e dinamizaram um magnífico espaço junto aos principais locais que frequentavam os gnomos. Durante a preparação da área, fizeram alguns arranhões, pois não desejavam algo maçador e aborrecido, mas sim motivador e inspirador. Rapidamente a notícia espalhou-se. Os gnomos mostraram a sua solidariedade. Algumas bruxas sentiram inveja e medo, outras respeito e orgulho. Os feiticeiros revelaram admiração na mestria com que as amigas evoluíam, revelando a sua prosperidade. Ao longo de meses, empenharam-se com brio e receberam apoio de gnomos e feiticeiros, contentes por serem ajudantes nessa ascensão de duas orientadoras. Cada decisão foi tomada com minuciosidade. Pairava no ar uma atmosfera diferente, como se a história sentia que estava a ser escrita de novo. Tinham-se tornadas expertas na matéria! Nesta fase, as bruxas estavam num grande divertimento e a inspiração não parava de fluir.
Entretanto, o ogre descobriu o espantoso trabalho feito nas suas costas e estava zangado com Dacília e Aramia. Elas não obedeciam às suas ordens, o que era inadmissível. Começou a refilar com elas por tudo e por nada e a envolvê-las em discussões brutais. Era o último incentivo de que elas precisavam. Então, as bruxas despediram-se dos seus gnomos carinhosos e convidaram-nos a aparecer no reino delas, o Reino das Ideias. Eles eram compreensivos e sabiam que algumas aparas tinham de ficar por limar. As prioridades eram outras. Elas lutavam pela vitória de todos. Nas semanas seguintes, fizeram uso de persistência e o único objetivo delas era o sucesso. Aumentaram a produtividade e sentiam-se espetaculares.
Finalmente, tinha chegado o dia! Revelaram o Reino das Ideias ao mundo! As primeiras visitas comentavam “Que fixe!” ou “Que espaço tão educativo!”. A ocupação da sala rapidamente cresceu. Os gnomos descobriram um local onde podiam ser brilhantes, inteligentes e inventivos. Claro que por vezes, as bruxas eram mandonas, mas era por querer melhorar o futuro dos seus gnomos. Pouco a pouco, o método aplicado deixou de ser “uma seca” como diriam os gnomos porque viam que lhes trazia vantagens. O ogre veio visitá-las, primeiro com intenções malvadas e depois mais simpático. Esclareceram-lhe que não queriam ser simples explicadores, queriam mostrar que pela dedicação e empenho se consegue mais e melhor. Transformaram-no num trabalhador a quem teve de ser reensinado o amor.
Esta aventura continua a ser inesquecível, mas sobretudo motivacional para entrar noutras. Como ensinar estava escrito no seu DNA, as bruxas transformaram-se em professoras e quiçá em musas…

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Obrigada por participar na nossa loucura! 😉