(Este artigo pode ser lido em francês e em inglês)
Portugal é um país atrativo para muitas comunidades estrangeiras. Frequentemente, estas comunidades são constituídas por famílias com crianças em idade escolar. Elas só ouviram e falaram a sua língua materna. Muitas vezes, até depois de chegarem a Portugal, continuam a estar inseridas num ambiente em que a língua portuguesa não está incluída.
Por isso, é necessário encontrar soluções para uma integração adequada, tanto relativamente à língua como à cultura.
Integração das crianças
Tal como as crianças nacionais, as estrangeiras também têm direito a frequentar a escola pública onde são integradas no ano de escolaridade de acordo com a idade. A família tem de pedir equivalência ao currículo escolar que as crianças efectuaram no país de origem.
A integração no ambiente escolar nem sempre é fácil. A socióloga Teresa Seabra alerta para as dificuldades que os alunos estrangeiros vão sentindo. No primeiro ciclo, a diferença com os alunos nacionais não é significativa. No entanto, com o avançar da escolaridade, as dificuldades vão aumentando, ou seja, os problemas vão acumulando e não são resolvidos. A socióloga aconselha o apoio especializado logo no primeiro ciclo de escolaridade.
Infelizmente, o processo de entrada nas escolas é demoroso e, por vezes, complicado. Para facilitar e antecipar as dificuldades da integração, procure locais como centros de estudos com professores experientes no ensino público. Desta forma, eles conseguem identificar quais os conhecimentos já adquiridos e quais em atraso. As tarefas atribuídas servirão então para diminuir a diferença de nível entre alunos nacionais e estrangeiros antes de entrar na escola. Além disso, também dão a conhecer a realidade da escola. Explicam como funcionam as escolas fora e dentro da sala de aula, integrando as crianças culturalmente. É conveniente este apoio ser continuado após o início escolar.
Crianças entre 6 e 10 anos
As crianças com idades entre os 6 e os 10 anos são integradas em turma do 1º ciclo com um único professor que vai adaptando as estratégias da aula ao aluno. No entanto, nem sempre o professor consegue dar o apoio necessário a estes alunos, pois as turmas são muito grandes. Além disso, as dificuldades e ritmos de trabalho dos alunos são diferentes até entre alunos estrangeiros.
Adolescentes
Uma vez os alunos integrados na escola, realizam um diagnóstico escrito e oral e, a seguir, são inseridos no nível correspondente ao uso da língua portuguesa. Estes níveis foram definidos pelo Conselho da Europa. O Quadro Europeu Comum para as línguas é o documento redigido por este organismo que organiza o uso das línguas em 6 níveis de utilizador básico (A1) a utilizador avançado (C2). Nas escolas públicas, existe a disciplina de Português Língua Não Materna (PLNM) que se destina a alunos cuja língua de origem não é o português europeu.
Adultos
Para esta faixa etária, muitas vezes a língua portuguesa é adquirida em contexto de trabalho. Assim, torna-se mais difícil arranjar disponibilidade para frequentar um curso, mas existem soluções para ocasiões pontuais. Em determinados bairros, existem grupos organizados de vizinhos ou associações culturais que promovem atividades que ajudam na integração cultural. O convívio e a troca de experiência em contexto informal é benéfico tanto a nível pessoal como social. As juntas de freguesia das zonas de residência têm um registo dessas associações.
É tanto ou mais importante que a integração das pessoas que chegam de outros países seja não só a nível linguístico como também a nível cultural. Perceber como funciona a sociedade portuguesa, quais as regras de conduta em espaço público e o significado em determinadas datas ajudam na inserção.

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