Por mais tempo que queiramos atrasar a adolescência, não há hipótese. Ela chegou e veio com amor! O nosso filho já chegou à idade das críticas, da rebeldia, das vontades próprias, da vergonha dos pais e do primeiro amor de adolescente. É difícil aceitar e há dias duros de aguentar. Por isso, decidimos ajudar com dicas para pais com adolescentes apaixonados.
Todos nós já nos queixámos destas atitudes de adolescentes e quem vê de fora ou não tem adolescentes em casa comenta que é fácil e que estamos a exagerar. Mas se puxar pela cabeça e se se lembrar dos seus amores de adolescente rapidamente verá que não é de todo uma tarefa simples.
Dentro e fora do corpo de um adolescente, ocorrem mudanças muito grandes. Uma dessas alterações é o início da vida amorosa com as atrações sentimental e sexual pelo outro. Estas emoções são confusas e instáveis e têm consequências no bem-estar e na rotina da vida dos adolescentes. No entanto, também são impulsivas e intensas e é por isso que todos nós nos lembramos do nosso primeiro amor.
A vida de um adolescente é desafiante a nível pessoal e social. A adolescência é uma etapa importante para a construção da identidade e da forma como nos relacionamos com o outro. As atitudes são diferentes consoante a idade, uns serão mais maduros que outros, ou consoante os géneros, pois as raparigas e os rapazes reagem de forma diferente. Como cada adolescente é único, não temos uma fórmula mágica para lidar com este primeiro amor, mas temos algumas dicas e informações que o poderão ajudar.
Como surgem as paixões na adolescência?
As paixões dos adolescentes são essenciais para o desenvolvimento da inteligência emocional. Umas irão durar pouco tempo, outras serão vistas como impossíveis e algumas poderão surgir ao mesmo tempo. A revolução hormonal própria da idade é a causa deste amor instável.
Para que os adolescentes se apaixonem, é necessário existir uma ligação que pode ser um perfume, uma música, uma maneira de fazer ou ser, ou seja, qualquer elemento que permite criar uma sensação de pertença. Assim, é dentro do grupo social que os nossos adolescentes encontram o seu primeiro amor.
Conviver num grupo de rapazes e raparigas desenvolve a feminilidade e a virilidade dos adolescentes. É através da vida social que visualizam as diferenças comportamentais entre os dois géneros e que adquirem competências para lidar com elas.
Os namoros são saudáveis e vão fortalecer as relações sociais que, para os adolescentes, são tão importantes. É nessa altura que amizades são fortalecidas e que a definição de amor é construída. Estes conceitos são essenciais durante a vida adulta. Assim, nós, mães, devemos evitar castigar e ter preconceitos relativamente a estes amores, pois só vamos dificultar algo que já não é simples.
Que amor é este?
Conseguimos sentir diferentes tipos de amor, como o amor entre irmãos, o amor dos pais ou a amizade. O amor romântico surge quando somos adolescentes.
Dentro do amor romântico, ainda existem muitas diferenças, como por exemplo a paixão, o romance, o físico e o platónico. Com as hormonas todas a evoluir, os adolescentes sentem emoções opostas e misturadas, passando da alegria ao desespero e à ansiedade num instante.
No entanto, o amor também leva a sentimentos positivos. Quantas vezes não vimos um adolescente a sonhar acordado? Ou a sorrir só porque sim? Estas atitudes permitem ao corpo produzir substâncias que lhes dão energia e tornam os adolescentes mais felizes.
Quais as características do amor adolescente?
Os adolescentes entre os 13 e os 15 anos vêem os namoros como uma forma de serem aceites no grupo, porque as relações são uma maneira de mostrar maturidade e por isso ser socialmente mais popular. Assim, é comum que a relação amorosa tenha origem numa amizade.
O amor dos adolescentes tem duas principais características, a atração física e a afeição emocional. Quando estamos apaixonados, é normal que tenhamos o desejo de estar com a outra pessoa, de a beijar, tocar, acariciar e até de ter relações sexuais com ela. É importante que o adolescente perceba que esse desejo deve estar ligado à parte emocional, ou seja, a partilha de pensamentos, sentimentos, gostos e amor.
Como lidar com um adolescente apaixonado?
Estes amores marcam-nos a longo prazo. Vários especialistas afirmam que as emoções dos adolescentes são determinantes para toda a vida. Por isso é fundamental o acompanhamento dos pais para lidar com todas as novas emoções e ter consciente delas para que as futuras relações sejam positivas e tenham mais amor.
As borboletas no estômago, a cabeça na lua e a ansiedade própria do amor na adolescência são rapidamente esquecidas quando chegamos à idade adulta. Até os próprios adolescentes, esquecem-se! De facto, este rebuliço de emoções é confuso e preocupante. Assim, a ação dos pais tem de ser preventiva. Mal se aperceba que os passarinhos do amor chegaram, fale com o seu filho para que tudo fique claro. O ideal será contar-lhe uma paixão sua e assim reforçar a relação pais/filho.
Todos nós já fomos adolescentes e sentimos estes amores, mas estávamos do outro lado. Agora enquanto mãe, a história é outra e surgem inúmeras dúvidas sobre o que fazer.
Dicas para os pais e as mães
É sabido que não há manual de instruções para adolescentes! Mas é possível, a partir da partilha das experiências de vários pais encontrar soluções para algumas das dificuldades que vamos encontrando, como o primeiro amor.
Se para o adolescente é difícil, para nós, mães também o é. Sentimo-nos frustradas, angustiadas, com preocupação e até ciúmes. Por outro lado, se para muitas de nós, falar de amor, sexualidade e outros assuntos íntimos é difícil, ainda é pior quando se trata do nosso “bébé”.
Mas temos que estar preparadas para os ajudar e por isso preparamos algumas dicas:
O que temos de fazer:
- Respeitar a privacidade do nosso adolescente. Deixar que seja ele a iniciar a conversa sobre o que ele quiser, incluindo o amor. Não tentar sacar informação do telemóvel, rede sociais e diários. Ao invadir a privacidade dele, estamos a quebrar a confiança e fará com que ele se afaste ainda mais de nós e se exponha a maiores fatores de risco.
- Deixar que falem sobre o que sentem. O adolescente apaixonado tem sempre muito a dizer, quer que todos saibam que está feliz com o seu amor. Se estivermos disponíveis para o ouvir, estaremos a ajudá-lo a tornar-se um adulto forte a nível emocional.
- Ouvir com atenção.Sente-se com o seu filho e escute com atenção o que ele tem para lhe dizer. Não comente nem critique.
- Reforçar a auto-estima.Nem tudo corre bem no amor, há momentos de rejeição que trazem dor. Cabe-nos a nós mostrar-lhe que ele consegue ultrapassar esses momentos e que é um adolescente forte.
- Falar sobre a sexualidade. Se ainda não abordou o tema do amor, está na altura de o fazer. Se este tema não surgir naturalmente, terá de o forçar. Lembre-se que é um tema sobre o qual o seu filho pode ter vergonha de falar. Seja compreensivo com ele.
- Respeitar a nova geração. Temos que reconhecer que estes tempos de adolescente são outros e as nossas referências e valores sofreram alterações. Quando transmitimos os nossos valores temos que aceitar sem julgar ou criticar a opinião dele sobre o amor e tentar entender o mundo onde ele está a crescer.
- Tratá-lo como pré-adulto.Temos de falar com ele de forma direta, clara e sincera, uma vez que está a amadurecer. Nada de embelezar a informação, só para que ele fique bem.
- Manter a disciplina. O facto de ser adolescente não lhe retira deveres dentro de casa. É necessário que as regras de convivência se mantenham estáveis.
- Distinguir as atitudes corretas das incorretas. “Toda a gente faz assim”, é o que muitas vezes ouvimos quando tentamos corrigir as atitudes do nosso adolescente. É muito importante que ele perceba que o facto de todos terem uma certa atitude não faz com que ela passa a ser aceite e correta.
- Ser coerente. Os adolescentes aprendem muito com o exemplo. Para que o nosso filho veja o lado bom do amor, temos que evitar discussões com o nosso parceiro à frente dele e nada de falar mal do pai ou da madrasta, se for o caso. O exemplo da nossa vida serve de referência para a vida amorosa dele.
- Cuidar dele quando corre mal. O amor dos adolescentes é vivido com muita intensidade, assim como a perda desse amor. Temos que lhe mostrar que é normal estar triste, sentir dor, chorar e querer estar sozinho. Para além de os deixar viver essa dor, temos que os ajudar a continuar para a frente estando sempre disponível para o ajudar a reencontrar o amor.
- Aproveitar cada momento. Se o nosso filho está disponível para falar de amor, qualquer local ou momento é bom para o escutar. O mais importante para um adolescente é perceber que está presente sempre que ele precisa.
A evitar com um adolescente:
- Gozar ou fazer piadas dos sentimentos dele.
- Dizer mal da pessoa amada pelo nosso filho.
- Querer saber todos os pormenores.
- Dar um sermão.
- Invadir a intimidade dele.
- Perder o controlo com ciúmes.
O amor dos adolescentes deixa marcas para toda a vida. Há relacionamentos que duram a vida toda e outros que trazem desilusões e tristeza. A procura do amor ajuda o nosso filho a crescer e a tornar-se um adulto saudável e capaz de construir relacionamentos fortes e duradouros.
O mais importante é estarmos presentes com amor para ouvir, acompanhar, apoiar e aconselhar o nosso filho adolescente.
O amor é bom e recomenda-se.
