Parentalidade

Como falar com adolescentes?

Para os adolescentes, a comunicação é mais do que essencial. É na adolescência que as principais mudanças ocorrem tanto a nível social, pessoal como escolar. Com todas estas novas experiências, os adolescentes sentem-se perdidos e é nesse momento que mais precisam dos pais. Mas como deve falar com adolescentes?

Nesta fase de rebeldia, o afastamento dos pais por parte dos adolescentes é normal tal como a dificuldade em verbalizar os sentimentos. Os adolescentes necessitam de se sentir compreendidos, apesar de por vezes os pais não o conseguir.

O problema é que falar com adolescentes não é pera doce. Para nós, pais, é importante percebermos que o nosso filho está a mudar e, por isso, devemos mudar e adaptar-nos.

Como falar com adolescentes?

A principal queixa é não conseguir falar de todo com os filhos adolescentes. Eles chegam a casa calados e saem mudos. Assim, torna-se muito complicado criar uma ligação e tentar ajudar.

Que frustração…

Com isso tudo, só podemos sentir-nos frustrados por tentar comunicar com os nossos filhos adolescentes, por saber que podemos ajudá-los e por não obter resposta. Nesse momento, os nossos filhos adolescentes estão mais concentrados em organizar a sua vida social de forma autónoma e nós, os pais, já não entramos nesses planos. A nossa opinião já não tem peso. E de repente, construiu-se uma barreira de comunicação entre nós e eles.

Para ajudar à festa, quando finalmente os nossos filhos adolescentes decidem falar connosco, parece que falam em código! Os adolescentes têm um vocabulário próprio, uma forma de vestir única e um gosto por filmes e músicas que não se entende!

Lembre-se que não é porque os adolescentes estão cada vez mais independentes que nós, pais, somos descartáveis. Acredite, eles amam-no e precisam de si.

Tendo em conta todos esses aspetos, vamos aqui dar alguns conselhos que podem ajudar a criar um canal de comunicação e confiança entre pais e filhos adolescentes.

Ideias para uma melhor comunicação

  • Saber perguntar

Se queremos ter uma conversa saudável e produtiva, é essencial fazer as perguntas certas.

As perguntas tem de ser abertas, ou seja, a reposta não pode ser sim ou não. Para conseguir uma conversa mais produtiva com adolescentes, será melhor perguntar sobre algo concreto como “O que saiu no teste?” ou “O que aconteceu hoje na aula de … ?”.

Fazer uma pergunta sobre um tema do gosto do nosso filho adolescente, mesmo que não percebamos nada desse assunto, vai mostrar interesse e preocupação da nossa parte, facilitando a comunicação. Procure quais as pessoas e/ou eventos que entusiasma o seu filho adolescente e deixe a conversa fluir.

Não conhece os gostos pessoais do seu filho adolescente? Aproveite a visualização de um filme para lhe perguntar se gostava de viajar para o país onde se passa a ação ou se gostaria de conhecer uma cultura diferente. Aproveite um acontecimento familiar para lhe perguntar o que acha da sua família e que tipo de família ele gostaria de construir. O objetivo dessas perguntas não é ter uma grande conversa, é simplesmente conseguir conhecer um pouco mais das expetativas do seu filho adolescente quanto ao futuro.

  • Mostrar preocupação

Independentemente do tipo de perguntas que façamos, em todas elas temos de nos mostrar preocupados e verdadeiramente interessados. Os adolescentes precisam de sentir-se aceites e compreendidos. O objetivo não é concordarmos com todas as ideias do nosso filho adolescente, nem obtermos respostas a todas as perguntas, mas sim ganharmos a confiança dele. Por isso, é preciso ter cuidado com as perguntas demasiadas vagas que poderão ser mal interpretadas.

  • Ouvir, mesmo que seja ridículo

De nada serve perguntar se não vamos ouvir realmente a resposta. Temos de nos concentrar na resposta do nosso adolescente e não no que lhe vamos dizer a seguir.  Vamos aproveitar a resposta para o ajudar a fazer uma auto análise e não para dar um sermão ao nosso filho. Se usarmos a conversa contra ele, o nosso adolescente fechar-se-á. Seja compreensivo com o seu filho.

Como é óbvio nem sempre estaremos de acordo com o que o nosso filho adolescente nos conta e até podemos pensar que são assuntos completamente ridículos ou sem interesse. No entanto, são importantes para o nosso filho e por isso temos que nos esforçar para ouvi-lo e fazê-lo sentir-se ouvido. Se não o ouvirmos porque só conta histórias sem interesse, o dia em que for importante ele não virá ter connosco. A confiança e a compreensão são as chaves para a comunicação com um adolescente.

  • Respeitar

Se quer ser respeitado, respeite também. Temos de respeitar as opiniões do nosso filho adolescente, mesmo que não sejam iguais às nossas. Deixe-o explicar-se, diga-lhe que entende o que está a dizer e depois explique-lhe que tem uma opinião diferente. Mostrar que aceitamos a ideia do nosso filho adolescente mesmo sendo contrária à nossa é uma forma de respeitarmos a personalidade dele. Essa atitude será bem vista por parte dos adolescentes.

Respeite também o silêncio do seu filho. Os adolescentes são seres de extremos: ou estão maravilhosamente bem, ou estão pessimamente mal. Quando estão bem, falam connosco sobre tudo e mais alguma coisa. Quando estão mal, nem a um olhar temos direito. O seu filho ainda está a aprender como expressar todo o rebuliço de emoções que está dentro dele. Mais facilmente irá falar com outros adolescentes que estão a passar pelo mesmo do que connosco. Temos de aceitar essa escolha e deixar claro que quando quiser falar estamos presentes para ouvi-lo.

  • Falar de si

Se a única resposta que obtemos às nossas perguntas é o silêncio, então falamos nós. Do quê? De nós! Diga ao seu filho adolescente o que sente sobre a dificuldade que tem em falar com ele, que se sente triste, mas que está presente quando ele estiver preparado. Fale das suas dificuldades diárias para lhe mostrar que o que está a sentir faz parte da vida adulta. O nosso filho precisa de sentir que, apesar de tudo, estamos cá para ele. Evite ao máximo frases como “Nunca falas comigo!” ou “Estás sempre calado!” Isso só servirá para afastar o seu filho e será interpretado como uma falta de preocupação da nossa parte.

  • Ver para perceber e agir

A linguagem corporal também pode dar-nos muitas informações sobre o estado de espírito do nosso filho. Esteja atento aos pequenos gestos, ao tom de voz ou à falta de reação em determinadas situações. Inconscientemente, ele está a mostrar-nos as suas verdadeiras emoções.

É essencial descobrir a causa e encaminhá-lo para a solução. Até pode não ser a solução mais adequada ou aquela que resolve o assunto à primeira. O importante é existir uma ação da parte do nosso filho adolescente, uma vontade de resolver a situação.

  • Ter paciência

A nossa experiência de vida dá-nos a sabedoria para resolver os problemas do nosso filho adolescente com 5 minutos de conversa. Se ao menos nos ouvisse! Tenha paciência. O seu filho há-de vir ter consigo mais tarde ou mais cedo, direta ou indiretamente. É essencial que ele saiba a sua disponibilidade para falar com ele, para o ajudar ou reconfortar.

  • Dizer “não”

A sociedade é baseada no cumprimento de regras. Assim, é importante os adolescentes perceberem o “não”. Podem não estar de acordo e refilar, como é tão característico deles, mas as regras são para cumprir. Quem lhes vai ensinar a lidar de ouvir um “não”? Nós, os pais.

A figura parental deve ser compreensiva mas firme. Por isso, devemos criar regras e limites. Adoptarmos uma postura de um(a) mãe/pai carinhoso, mas seguro vai permitir ao nosso filho adolescente saber exatamente o que pode e não pode fazer e assim seguir em frente com mais confiança. Queremos dar-lhe as ferramentas necessárias para ser um adulto seguro e confiante.

  • Exemplificar

“Faz o que te digo e não o que faço!” Pois é, mas é exatamente através do exemplo que o nosso filho aprende melhor e para a vida. Por isso, vamos analisar os nossos comportamentos e corrigir os que são menos adequados. Reconhecer que erramos ou que não agimos de forma correta à frente do nosso filho, é a maneira mais eficaz dele também o fazer.

Fazemos tudo para conhecer o nosso filho adolescente, mas será que ele nos conhece? Queremos que fale connosco, mas nós falamos com ele? Queremos que ultrapasse os obstáculos de forma autónoma, mas também o fazemos ou desistimos à primeira tentativa?

Cabe-nos a nós, pais, educar os próximos adultos da sociedade. Se queremos um futuro melhor para os nossos filhos, o trabalho começa neles. Ninguém disse que a tarefa era fácil e simples. Por isso, faça o seu melhor, esteja presente e empenhado na melhoria da comunicação. O mais importante é aproveitar todos os momentos para serem, pais e filhos, felizes juntos.

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