Sobre nós

Dicas e mitos de um bom estudo

A professora Cidália estudou através de um curso online intitulado “Aprender a aprender” algumas técnicas de estudo. Este curso gratuito é baseado no best Seller da Bárbara Oakley “Uma Mente para Números: Como se Sobressair em Matemática e Ciências (Mesmo Se Você Tiver Reprovado em Álgebra)”. Ao frequentar o curso, a professora Cidália aprendeu técnicas de estudo tão diversas e simples que começou de imediato a aplicá-las. Rapidamente, comprovamos que também eram eficazes!

Estas técnicas de estudo podem ser usadas ao longo do ano letivo ou/e para intensificar a preparação para os exames. Algumas são tão simples que se podem aplicar até nos alunos mais novos.

Ao longo dos nossos anos de experiência, vimos muitos alunos usarem estratégias desadequadas para o estudo, convencidos que eram as melhores. Por isso, neste artigo vamos mostrar quais as técnicas a esquecer e quais têm de ser aplicadas já.

16 Dicas para um bom estudo

Na hora de estudar, ponha em prática algumas ou todas estas dicas de estudo e verá logo a diferença.

1. Recapitular. Leia um tema ou um capítulo com atenção. A seguir, feche o livro e diga, em voz alta ou para si, os principais conteúdos que acabou de ler. Pode aproveitar a viagem de transportes públicos para aplicar esta técnica de estudo. A capacidade de se relembrar dos conteúdos é sinal de uma boa retenção.

2. Autoavaliar-se. Iniciar o estudo, revendo toda a teoria é bom, mas de nada serve se ficar por aí. Qualquer instrumento de avaliação está baseado na aplicação prática dos conteúdos teóricos. Colocar uma pergunta, foca automaticamente o cérebro na resolução do problema. Por isso, toca a fazer exercícios!

Tente resolver exercícios em todo e qualquer momento do estudo. Fazer unicamente os testes finais dos capítulos não é suficiente. O ideal é procurar fichas e testes globais que tratam dos conteúdos do início do ano e/ou dos anos anteriores. Desta forma, fica logo a saber quais os pontos a rever e quais estão dominados.

Além disso, esta técnica de estudo permite familiarizar-se com vários tipos de perguntas, sendo mais fácil a descodificação no momento do teste, e treinar a gestão de tempo.

3. Resolver passo a passo. Cada vez mais aquilo que é solicitado aos alunos de hoje é a relação de vários conceitos. Muitas vezes para resolver um exercício é necessário recorrer a outras fórmulas, outras definições. Assim, durante o estudo, dividir um problema em várias etapas, acaba por facilitar a sua compreensão e o caminho para a solução salta à vista.

4. Variar as disciplinas. Um teste ou um exame nunca vem só. Muito provavelmente será necessário organizar o estudo para mais do que uma disciplina ao mesmo tempo. Por isso, o ideal é ir alternando e assim garantir que tudo está estudado quando chegar a hora. Esta técnica permite também ao cérebro receber estímulos diferentes, mantendo-o atento.

5. Alternar métodos de estudo. Existe várias formas de estudo. Como cada um é diferente, então é normal o método de estudo também variar de pessoa para pessoa. Tente diversas maneiras e descubra quais melhor se adaptam a si. Há que ter em atenção que as técnicas podem mudar também consoante as disciplinas estudadas, umas serão melhor para as ciências enquanto outras para as línguas. 

Será também benéfico alternar os materiais de suporte do estudo. Frequentemente, as editoras usam o mesmo método em todos os seus livros. Por isso, procure diversificar os manuais. Outra técnica é a escrita à mão em vez de a digital. É verdade que muitas app hoje em dia, facilitam o estudo, mas a escrita manual constrói ligações mais sólidas na memória do que a digital.

6. Fazer pausas. O nosso cérebro tem dois hemisférios, um racional e outro emocional. Durante o estudo, o lado racional acaba por trabalhar mais e, por isso, ao fim de 30 minutos, cansa-se e a concentração começa a diminuir. Por isso, de nada serve estudar horas seguidas ou realizar as mesmas tarefas. É preferível fazer uma pausa para ativar o outro lado do cérebro e recuperar a atenção.

7. Explicar. Explicar a alguém o que estamos a estudar é uma das técnicas mais eficaz de estudo. Quando tiver dificuldades em perceber um conceito, explique-o a um amigo ou um membro da família, independentemente de este ter conhecimento na matéria ou não. Pode fazê-lo por escrito ou em voz alta, o que reforça as conexões cerebrais. Se meter os pés pelas mãos, é porque tem de rever os conteúdos.

Além disso, esta técnica de estudo permite desenvolver e consolidar a comunicação verbal que poderá ser muito útil no futuro.

8. Concentrar-se. Vivemos num mundo tecnológico em que cada instante é interrompido por uma notificação, ou seja, a concentração para o estudo nunca é total. Hoje em dia, existem numerosas app que permitem bloquear a chegada das notificações durante um determinado tempo.

Depois de encontrar um local próprio para o estudo e planear os objetivos a atingir, aplique a técnica Pomodoro. Esta técnica de concentração organiza o estudo em ciclos de 25 minutos de trabalho seguidos de uma pausa de 5 minutos. Ao fim do quarto ciclo, a pausa é de 20 minutos. Através deste método, a concentração é aumentada.

9. Começar pelo difícil. Comece o estudo pelos conteúdos mais difíceis. No início, a energia e a atenção são maiores. Se bloquear numa etapa de estudo ou de resolução de exercício pode sempre passar a um mais fácil. Regresse de novo ao mais difícil e perceberá que o bloqueio foi ultrapassado. Arregace as mangas e toca a estudar!

10. Definir metas. Se souber exatamente para onde vai, acaba por ir mais depressa e sem desvios. O estudo funciona da mesma forma. Define objetivos claros e precisos, a curto, médio e longo prazo. O cérebro é uma máquina que precisa de ser motivada. Quando sentir a motivação a reduzir, olhe para os seus objetivos. Ter o fim à vista, o sonho a aproximar-se é a melhor motivação para retomar o estudo.

11. Estar atento nas aulas. É nesse momento que começa o estudo. Durante as aulas, ouvimos pela primeira vez a explicação da matéria a estudar. Estar atento nas aulas é ficar já a saber a base. Depois em casa, é necessário completar com a informação do manual e a teoria fica imediatamente estudada.

12. Organizar. Antes de começar o estudo, veja se tem os materiais todos consigo, se precisa de umas fotocópias, se tem a matriz do teste ou se sabe a estrutura do exame. Organize o seu material, mas o seu tempo também. Distribui os conteúdos pelos dias que tem para estudar. Lembre-se de acrescentar um dia para imprevistos.

13. Descobrir a hora mais produtiva. Alguns alunos estudam melhor de manhã, outros de tarde e outros ainda de noite. Não existe nenhum tempo mágico para aumentar a concentração. É preferível menos horas de estudo no seu momento de eleição de que o dobro noutro momento. Há que experimentar as várias alturas do dia e descobrir qual melhor se adapta. No entanto, há uma regra de ouro: não interferir com o descanso! É necessário respeitar as 6 a 8 horas de sono por noite.

14. Recompensar-se. Como é óbvio, a melhor recompensa será uma boa avaliação no teste ou exame. No entanto, independentemente da nota, tem de recompensar todo o seu esforço e a sua dedicação no estudo. Permita-se pequenas recompensas como uma saída entre amigos, uma hora a jogar na consola ou os episódios desta semana da sua série favorita.

15. Alimentar-se bem. As bebidas energéticas, os cafés duplos e o chocolate são bons parceiros de estudo, mas a muito curto prazo. Precisa de um corpo, mais precisamente de um cérebro, a funcionar com todas as suas capacidades. Por isso, faça uma alimentação variada e equilibrada, hidratando-se e fazendo pequenos lanches várias vezes ao dia. Existem alimentos que ajudam na memória e concentração.

16. Praticar exercício físico. Há quem pare toda e qualquer atividade física durante as épocas de maior estudo para não perder tempo. Errado! Uma caminhada de meia hora três vezes por semana vai ajudar na oxigenação do cérebro e por conseguinte aumentar a concentração. Além disso, permite reduzir o stress e a ansiedade e melhorar o sono.

14 Mitos sobre o estudo

Descubra aqui se está a cometer algum erro nos seus hábitos de estudo.

1. Ler e reler. Ler só por ler não funciona. Se fizer várias vezes a mesma coisa, acaba por fazê-la sem pensar e sem ter atenção. O mesmo acontece com o cérebro. Ler e reler as mesmas páginas não garante que de facto esteja a assimilar os conteúdos. Associa a leitura a outra atividade como por exemplo, a esquematização para melhorar o estudo.

2. Sublinhar quase tudo. Que desespero olhar para uma página e vê-la toda sublinhada! Mesmo que seja de diferentes cores. Automaticamente, o cérebro assume que é tudo para o estudo. A maioria dos livros já tem a informação organizada e destacada, quer seja através da letra a negrito, quer seja pelas notas na lateral. A informação completa não precisa de ser sublinhada, mas sim estudada. Destaca somente o local onde está ou o detalhe que lhe faltava para a perceber.

3. Copiar as soluções. Também vai espreitar o teste do lado quando for a altura do teste? Então, pare de olhar para as soluções durante o estudo e resolva os exercícios passo a passo. Está tudo feito? Não deixou nada por resolver? Então, já pode ir consultar (e não copiar) as soluções.

4. Estudar na véspera. O cérebro é um músculo, então é preciso tratá-lo como tal. Os atletas não treinam somente na véspera da maratona ou do jogo, pois não? Organize o estudo um pouco todos os dias e, na véspera do teste ou exame, relaxe. Assim, no dia D, a capacidade de concentração e raciocínio aumenta.

5. Repetir exercícios. Resolver sempre os mesmos tipos de exercícios não é benéfico nem realista. O teste ou exame não é constituído com o mesmo tipo de exercícios. Para aprender a cozinhar, não segue sempre a mesma receita, tem de variar. Faça o mesmo com o estudo.

6. Estudar em grupo. Esta técnica pode ser favorável se de facto o grupo se dedica ao estudo. Cada membro explica aos outros a matéria que domina. As dúvidas ficam esclarecidas. No entanto, se as sessões de grupo se transformam em saída entre amigos, então esqueça. Está a perder tempo precioso. Guarde estes momentos como recompensa pela sua dedicação e esforço ao verdadeiro estudo.

7. Praticar sem estudar. Começar a resolver exercícios sem ter estudado previamente as fórmulas ou as definições de pouco ou nada serve. Sim, o teste ou exame incide na parte prática da disciplina, mas não pode conduzir sem primeiro ter as aulas de código, certo? Ao longo do estudo da teoria, faça um formulário e/ou glossário primeiro e depois ataque os exercícios.

8. Não pedir ajuda. Sente-se perdido no estudo? Não sabe para onde se virar? Quem melhor do que o seu professor para o ajudar? Peça-lhe ajuda ou recorra a explicadores ou centro de estudos. Está a aprender, é normal que não saiba tudo e que precise de ajuda.

9. Distrair-se com tecnologias. Na sociedade de hoje é muito fácil, distrair-se com o telemóvel ou computador. Mesmo que tenha colocado as notificações a vibrar, é inevitável o cérebro desviar a sua atenção para o que acabou de ouvir. Existem diversas app que ajudam a controlar o uso das tecnologias durante o estudo.

10. Dormir pouco.  Vários estudos mostram que é durante o sono que as informações ficam guardadas na memória. De facto, o nosso cérebro aproveita o momento de dormir para fazer uma limpeza e assimilar as informações importantes. Além disso, se não dormir o suficiente, pelo menos 6 horas por noite, vai acumular cansado e ficar mais irritadiço. Logo, o estudo do dia seguinte não será rentável.

11. Estudar no sofá ou na cama. São péssimos locais para estudar! Quando se senta ou deita na cama, o corpo automaticamente relaxa. Guarda o sofá e a cama para as suas pausas entre dois momentos de estudo. Se não consegue afastar-se deles, vai estudar para a biblioteca ou para um centro de estudo silencioso.

12. Estudar sem parar. Fazer um estudo 7 dias em 7, 24 horas por dia não funciona. Somos seres humanos e não máquinas. Escolha um dia por semana ou duas manhãs / tardes para descansar, divertir-se, relaxar, o que quiser menos estudar. Até as máquinas precisam de recarregar as baterias de vez em quando.

13. Estudar só o que não sabe. Como é óbvio, tem de dedicar mais tempo e esforço aos conteúdos que menos sabe. No entanto, reserve algum tempo de estudo para aqueles que domina. Assim, pode chegar à excelência e garantir pontos. Estude todos as matérias!

14. Copiar o livro. Até pode estar a escrever conteúdos importantes, mas passado uma hora já está em modo automático e não está a reter qualquer informação. É preferível ler e reler uma segunda vez com atenção, fechar o livro e escrever os pontos de que se lembra. Copiar a matéria, só por si, não ajuda ao estudo.

Conclusão

Acabamos de lhe mostrar 16 dicas e 14 mitos sobre as melhores técnicas de estudo. Mas tem de se lembrar que cada indivíduo tem a sua personalidade e as suas especificidades. O que funciona para o vizinho pode não funcionar consigo. E é normal. Confie nas suas capacidades e na sua persistência. Não perca mais tempo em pesquisar sobre como estudar e vá estudar!