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Parentalidade

12 temas obrigatórios para falar com filhos adolescentes

O que tem de ser tem muita força! Por isso, de nada serve adiar os 12 temas obrigatórios para falar com filhos adolescentes. A adolescência é uma época de mudança cheia de inseguranças. Os nossos filhos sentem-se perdidos e começam a fazer perguntas. Poderão encontrar algumas respostas junto dos colegas, outras na Internet e outras ainda ficarão sem respostas. Alguns temas são abordados ao de leve na escola ou na comunicação social, e outros são demasiados embaraçosos.

Nós pais temos então a obrigação de conversar com os nossos filhos, quer sejam perguntas difíceis quer sejam temas delicados. Devemos assumir o papel de conselheiros e guias nesta adolescência confusa. Temos de descobrir como falar com o adolescente instável, quando é o melhor momento para falar e que temas abordar.

Estas conversas serão mais uma forma de criar uma relação de confiança e de reforçar a união. A próxima vez que os nossos filhos adolescentes tiverem uma pergunta na mente deles, virão ter connosco porque sabem que terão informação de confiança e porque somos um porto seguro onde podem baixar a guarda.

Quando falar ?

O melhor diálogo é sempre aquele que surge naturalmente. À hora de jantar, pais e filhos falam sobre o seu dia e as perguntas vão surgindo. Devemos, enquanto pais, responder sem preconceitos para que os nossos filhos se sintam à vontade para falar até de temas delicados. Ao ver uma série na televisão, aproveitamos uma cena e pedimos a opinião do nosso filho.

Temos de os deixar falar à maneira deles e sem falar obrigatoriamente deles. Os adolescentes não são todos iguais. Há que respeitar o ritmo de cada um e manter sempre aberto um canal de comunicação. Assim, podemos orientar algumas decisões futuras em vez de impormos as nossas regras.

Infelizmente, nem sempre a conversa surge naturalmente e é preciso dar um pequeno empurrão. Podemos organizar uma saída , um passeio só entre os dois. Vamos abordar o assunto sem medo e contar a nossa experiência. O facto de estarmos numa situação de um para um, permite ao nosso filho adolescente sentir-se mais à vontade para desabafar.

Relembramos que é mais importante a criação de um canal de comunicação sincero e de confiança do que uma grande quantidade de informações sobre o assunto. Os adolescentes precisam de orientação porque informação, se quiserem, conseguem tê-la de outra forma.

Falar do quê?

Existem centenas de temas que podemos falar com os nossos filhos adolescentes. No entanto, selecionamos aqui apenas 12 temas que nos parecem essenciais para um jovem adolescente.

1. O papel da escola para o seu futuro.

Para nós pais é óbvio que os estudos são fundamentais para o futuro. No entanto, para os nossos filhos adolescentes, o futuro ainda vai longe e têm outros assuntos muito mais interessantes a tratar agora.

As respostas às perguntas “O que vais fazer quando acabares a escola?”, “Queres ir para a faculdade?” ou “Já sabes que curso queres seguir?” são sempre muitos vagas e pouco convincentes. Por isso, é importante através do diálogo e de exemplos concretos, mostrar que a aprendizagem é essencial. Quer seja pela via da faculdade quer seja pelo ensino profissional, o nosso filho adolescente tem de perceber que o que aprender agora ser-lhe-à necessário para o futuro.

Muitas escolas associam-se a iniciativas para ajudar os adolescentes a melhor conhecer as possibilidades de escolas e cursos. Devemos incentivar os nossos filhos a participar nestes projetos e a visitar faculdades e empresas para garantir que a escolha de carreira é a mais adequada para eles.

Lembre-se que sermões e imposições não são as melhores soluções de diálogo. Nem sempre os nossos filhos adolescentes estão atraídos pelo mesmo ramo profissional que nós. Temos de valorizar o percurso escolar do nosso filho e acompanhá-lo no seu próprio caminho.

2. A Internet e os seus perigos

Os adolescentes passam imenso tempo na Internet no computador, no tablet ou no telemóvel. Isso não é novidade. Mas com este novo passatempo vem também muitos perigos. Mais facilmente os nossos filhos adolescentes são encontrados por quem tenha más intenções.

Os nossos filhos acabam por se expor ao mundo por vezes de modo demasiado revelador através de fotos e vídeos colocados nas redes sociais. Mostrarem-se à sociedade sem cuidado pode ser prejudicial porque colocam-se em perigos e criam uma imagem deles que poderá trazer consequências. Podem ser vítimas de bullying ou as fotos irem para sites de pornografia ou pedofilia.

Os adolescentes precisam de perceber que o mundo da Internet não é só formado por amigos. Também tem um lado escuro e perigoso. Existem muitas apps que nos ajudam a manter os nossos filhos seguros. Para aprofundar o tema, veja os vídeos de Internet Segura.

3. Os valores e ideais

Transmitir valores aos nossos filhos começa logo na infância. Durante a adolescência e com o seu processo de descoberta e rebeldia, alguns desses valores e ideais são esquecidos ou mal interpretados pelos nossos adolescentes.

Devemos falar com os nossos filhos sobre a importância da honestidade, do respeito e da integridade. Basta olhar à nossa volta e vemos inúmeras situações que podem servir de exemplo para estes valores. Com os desafios escolares, relembramos-lhes os valores da perseverança e de tentar sempre até melhorar.

Falar de valores com os nossos filhos torna-os mais confiantes e conscientes do caminho que estão a seguir. Estes e outros valores devem ser ensinados porque os nossos filhos adolescentes são o futuro da sociedade.

4. A religião

São frequentes as notícias de guerra e conflito baseados na religião. Por isso, a religião pode despertar curiosidade ou então até mal entendidos. Falar abertamente com o nosso filho sobre o que acreditamos e porque acreditamos pode ajudar a perceber.

Não devemos impor a religião seguida pela família. Os adolescentes são curiosos e poderão querer conhecer outras. Há que acompanhá-los e orientá-los de modo a fazer a escolha que mais sentido faz para eles. Quando educamos um filho, também lhe transmitimos valores que serão essenciais para o caminho certo.

5. As relações amorosas e de amizades

É capaz de ser um dos temas mais difícil de falar. Sabemos que a vida social dos nossos filhos ganha muita importância na adolescência. Tentar entrar neste mundo é essencial, mas também delicado.

Os nossos filhos começam a sentir emoções intensas quando entram na adolescência. Descobrem o amor e a paixão. Tudo é novo e confuso. Sentem-se perdidos e precisam de uma conversa com quem já passou por isso, ou seja, nós pais. Podemos sentir-nos constrangido em falar de algo tão pessoal com os nossos filhos, mas existem várias dicas de como falar com adolescentes apaixonados.

As amizades são outras relações a ter em conta. Os adolescentes têm tendências a serem conflituosos e perdem-se amizades por causa de atitudes menos corretas. Temos de falar das nossas experiências boas e más, mostrar que estamos preocupados. É importante conhecer os amigos do nosso filho adolescente e evitar atos extremos e proibições de ver os amigos.

6. A sexualidade

Este tema é aquele que mais dúvidas provoca, talvez por ser tabu falar de sexualidade, quanto mais com o nosso filho adolescente. No entanto, é provável que seja dos temas mais necessário de falar. O ideal é a conversa surgir numa situação do dia a dia, ao ver a televisão ou uma notícia. Não é preciso procurar muito para encontrar! Muito provavelmente o nosso filho já terá falado de sexo na escola e nem sempre terá encontrado a informação mais adequada.

Quando falamos de sexualidade com os nossos filhos adolescentes é essencial associá-la sempre aos sentimentos. Temos de esclarecer que é importante que haja respeito e afeto entre os dois para que haja sexo. Devemos insistir na prática de um sexo seguro através do uso de preservativos contra as doenças sexualmente transmitidas e contraceptivos para evitar as gravidezes indesejadas.

É possível que não tenhamos as respostas a todas as perguntas, mas uma ida ao médico de família e/ou ginecologista poderá resolver o assunto. Ouvir as respostas da boca de um médico pode ajudar a acalmar o nosso adolescente. O objetivo é o nosso filho sentir-se à vontade em procurar a nossa ajuda.

7. O álcool e as suas consequências

Começam as saídas entre amigos e as experiências com o álcool. Antes de autorizar uma saída, devemos falar com o nosso filho adolescente sobre os riscos e as consequências do álcool. Temos de explicar claramente que existe uma diferença entre beber uma cerveja e ficar podre de bêbado.

Esclareça os riscos para a saúde que os abusos das bebidas alcoolizadas provocam. Devemos deixar claro que existe também o perigo da falta de segurança, tanto dos nossos filhos como dos outros adolescentes, dentro e fora de casa. Os acidentes de carro ou as brigas feias acontecem num abrir e fechar de olhos.

8. O vício das drogas

Este tema é em parte abordado nas escolas. No entanto, não se deve ficar por aí porque a conversa nem sempre é aprofundada ao ponto de matar a curiosidade. Podemos começar por perguntar o que foi explicado na escola e a partir daí completar a conversa. Há que deixar bem claro que o uso e tráfico é proibido por lei e mesmo sendo menor pode sofrer com as consequências legais.

Podemos eventualmente fazer uma pesquisa em conjunto com o nosso filho adolescente. Ao mesmo tempo, comentamos as descobertas feitas, acompanhamos e falamos abertamente sobre as nossas preocupações do vício grave que as drogas possam provocar.

9. O respeito por todos

Desde pequeno, temos de ensinar aos nossos filhos o respeito por si e pelos outros. Através das brincadeiras com as outras crianças explicamos que as diferenças são só diferenças e não motivos para julgar. Este tipo de conversa tem de manter-se até à adolescência ou mais se for necessário.

Com o aumento da vida social do nosso filho adolescente, temos de explicar que existem pessoas que tentam manipular a vida de outras e que tal não merece o nosso respeito. O nosso filho tem de perceber quem é e o que lhe agrada por si. Cabe-nos a nós pais ajudá-lo a fazê-lo da melhor maneira possível.

10. A imagem de si próprio

As alterações corporais na adolescência são muitas e muito grandes. Aliadas ao facto do olhar do outro ser cada vez mais importante, a aparência física pode ser um problema a falar com os nossos filhos adolescentes.

As inseguranças surgem e temos que as combater para não chegar a extremos como é o caso da anorexia. Devemos elogiar os nossos filhos de forma concreta e específica: “Esta camisola fica-te mesmo bem.”, “Gosto de te ver com este penteado.” Devemos alimentar a autoconfiança para que esta não seja dependente dos outros.

11. A organização e responsabilidade

Os nossos filhos não nascem organizados, vão aprendendo com a experiência e o exemplo. É essencial falarmos com eles sobre a importância da organização tanto dos objetos como dos projetos. Ter tudo organizado e planear trabalhos, ajuda a arrumar a mente e facilita o raciocínio.

O adolescente por norma é rebelde e reincidente. Além disso, é na adolescência que eles exigem mais liberdade, mas nem sempre querem a responsabilidade que a acompanha. Por isso, enquanto pais, temos de os consciencializar que ser responsável é indissociável de ser adulto. Deixar passar certas situações, é prejudicial a médio e longo prazo por enraizar maus hábitos.

12. A gestão de dinheiro

A gestão financeira pode ser uma grande dor de cabeça. Podemos evitar ou pelo menos diminuir essa dor na vida futura dos nossos filhos. Nunca é cedo demais para falar com eles sobre o valor do dinheiro e as vantagens da poupança.

Eles recebem dinheiro ainda antes da adolescência nos aniversários, no natal ou através da mesada. Temos de os orientar para que o gastem de forma sensata. Poderá ser uma oportunidade para falar dos benefícios e dos perigos dos créditos. Na adolescência, começam a querer o que os membros do grupo social também têm, surgindo conflitos com os pais. Há que estabelecer limites e explicar-lhes que existem prioridades para as despesas e que poderão adquirir determinados objetos com o devido trabalho e gestão do dinheiro. Podemos sempre levá-los ao banco e pedir ao gestor de conta que fale diretamente com eles.

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