Enquanto pais, o que mais desejamos para o nosso filho é sucesso e felicidade. Muitas vezes, o sucesso é associado à inteligência. Mas sabia que existem vários tipos de inteligência? De facto, temos várias formas de mostrar a nossa inteligência, porque podemos usar o conhecimento científico ou a nossa competência emocional.
Só o conhecimento científico não é garantia de sucesso. Precisamos de algo mais. Estamos a falar da inteligência emocional. Este tipo de inteligência interfere não só no nosso desempenho académico como também nas nossas vidas profissional e social. Efetivamente, os alunos com as melhores notas na escola não serão obrigatoriamente as pessoas que terão mais sucesso no futuro.
Neste artigo, vamos concentrar-nos na inteligência emocional, no que é, nas suas vantagens e nas várias estratégias que podemos usar para o nosso filho ser uma criança emocionalmente inteligente.
O que é a inteligência emocional?
A inteligência emocional, como é conhecida hoje foi definida por Daniel Goleman em 1998. Trata-se então da “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.
Este tipo de inteligência é medido através do Quociente Emocional (QE), tanto ou mais importante que o famoso Quociente Intelectual (QI). Estes dois tipos de inteligência não estão relacionados um com o outro porque são controlados por diferentes partes do cérebro. Além disso, o Quociente Intelectual não se altera ao longo da vida, ao contrário do Quociente Emocional que evolui graças a determinados hábitos. É de salientar que desde criança, mesmo pequenas, a inteligência emocional está presente e deve ser desenvolvida.
Desta forma, a inteligência emocional permite-nos viver bem connosco e com os outros. É sermos capazes de manter a calma e descobrir o que é necessário para chegar ao sucesso.
Quais as vantagens da inteligência emocional?
Uma pessoa com uma inteligência emocional mais elevada é aquela que melhor identifica e gere as suas emoções. Quanto mais cedo for incentivada e desenvolvida, mais inteligente emocionalmente se torna a pessoa. Para que serve então concretamente a inteligência emocional?
A inteligência emocional é importante para o equilíbrio psicológico das crianças. As crianças com inteligência emocional mais elevada são mais confiantes, menos agressivas e mais sociáveis, porque usam eficazmente as suas emoções. Como comunicam melhor os seus sentimentos, as crianças conseguem construir relações mais saudáveis, baseadas no respeito. As crianças são mais confiantes, por isso, quando se vêem perante um problema tentam solucioná-lo.
É essencial as crianças crescerem bem fisicamente, mas emocionalmente também, pois as emoções e o corpo estão interligados. Por isso, para uma criança ser plenamente feliz, devemos assegurar-nos que o conhecimento cresça, mas igualmente a inteligência emocional.
Resumidamente, desenvolver a inteligência emocional do nosso filho permite:
- usar eficazmente as emoções
- ter autocontrolo
- ser mais sociável e menos impulsivo
- comunicar melhor as emoções
- ter relações saudáveis
- ter confiança para resolver os obstáculos do dia-a-dia
- ser feliz emocionalmente
Como melhorar a inteligência emocional?
Agora que já sabemos o que é a inteligência emocional e quais as suas vantagens, vamos descobrir como podemos desenvolvê-la.
Nascemos com emoções, mas ao longo da nossa infância vamos aprendendo a lidar com elas. É por isso que as crianças choram e fazem birras, porque estão a gerir emoções novas. Independentemente da idade, falar do que sentimos não é fácil, mas quando somos crianças é ainda mais difícil mostrar o nosso lado emocional. Desta forma, enquanto pais, temos de ajudar o nosso filho a reconhecer e a falar das suas emoções nos diversos momentos do seu quotidiano. Ajudá-lo a associar o seu lado emocional aos seus comportamentos e às manifestações corporais.
A inteligência emocional deve ser estimulada desde o nascimento e ao longo da vida através de diversas técnicas. Uma delas é a interação diária, primeiro, com a mãe e, depois, com outras crianças da mesma idade. A partir dos dois anos e meio, é possível começar a trabalhar as emoções do nosso filho. Quando chegam à adolescência, a vida social ganha importância e surgem novas emoções. É essencial dar-lhes espaço para criar um canal de comunicação connosco e exprimir-se abertamente.
Desenvolver a inteligência emocional do nosso filho é permitir-lhe que cresça de forma saudável e calmamente, tornando-o uma pessoa forte e confiante. Somos o ponto de partida para preparar o nosso filho para um futuro sem depressões, ansiedades ou outra perturbação emocional mais grave. A inteligência emocional faz parte da educação e formação do nosso filho.
Melhorar a inteligência emocional do nosso filho é difícil, mas não impossível. Deixamos aqui algumas estratégias para ajudar nesta tarefa.
Estratégias
1 – Dar espaço para o nosso filho se expressar. Antes de querer que o nosso filho gira e controle o seu lado emocional, temos de fazer com que ele fale de emoções. Temos de criar um canal de comunicação onde o nosso filho possa verbalizar o que sente em qualquer situação e sem julgamentos. Temos de dar um nome aos sentimentos, sejam eles positivos ou negativos.
2 – Ouvir o nosso filho. Devemos ouvir o nosso filho, sem preconceitos e sem desvalorizar as suas emoções. Temos de aprender a escutar atentamente para compreender o que sente. O mais importante é o nosso filho saber que pode desabafar connosco sobre tudo, mesmo que não tenhamos a resposta para as suas perguntas. Só temos de estar disponíveis para ouvir o seu lado emocional.
3 – Brincar com o nosso filho. Quando o nosso filho está a ler uma história ou a ver um desenho animado, devemos perguntar-lhe o que estão a sentir as personagens ou o que o nosso filho sente ao ver um determinado acontecimento. Com as respostas, temos a oportunidade para desenvolver a inteligência emocional e refletir sobre emoções.
Temos de aproveitar as brincadeiras do nosso filho, porque é nesta altura que ele tem as suas barreiras em baixo e mostra mais facilmente o que sente. As emoções revelam-se espontaneamente através das brincadeiras e de situações do quotidiano. Além disso, brincar permite desenvolver a interação e o respeito pelo outro, essenciais para a inteligência emocional.
4 – Falar do dia-a-dia. É essencial criar um diálogo no seio da família. Haverá dias em que a conversa seja mais longa ou mais interessante. O mais importante é que haja espaço para falar uns com os outros sobre as dúvidas e as emoções positivas ou negativas que sentimos. Esse diálogo vai aumentar a confiança entre pais e filhos, a autoestima e torna-o emocionalmente mais capaz.
5 – Estimular a resiliência. A resiliência é a capacidade de superar as dificuldades e transformá-las em algo positivo. Esta característica é muito importante, pois ajuda na prevenção da depressão. O nosso filho tem de perceber que nem tudo na vida é bom e que o mal não é o fim do mundo. É necessário explicar-lhe que não basta desejar para ter algo, é preciso trabalhar e, que mesmo assim, por vezes não é suficiente. Temos de mostrar que aceitar o erro e o fracasso é bom se daí aprender a lição para melhorar. Também isto é trabalhar a inteligência emocional.
6 – Lidar com a frustração. A vida não é um mar de rosas, por isso é essencial ensinar o nosso filho a lidar com um “não”. Desde pequeno, quando recusamos um brinquedo ou quando o nosso filho perde um jogo, ele está a aprender a gerir a sua frustração. É provável que custe ao nosso filho naquele momento, mas mais tarde será mais fácil lidar com as críticas pois já estará mais forte emocionalmente. Prepare-se para algumas birras! Resolva-as com apoio e diga-lhe que é normal sentir-se com raiva e decepcionado.
7 – Valorizar o esforço. Elogiar o nosso filho é bom, mas valorizar as tentativas e o esforço é melhor. Quando o nosso filho está com dificuldades temos de o incentivar a tentar, a arriscar. Estas tentativas permitem que ele se sinta mais confiante e seguro, porque se apercebe que se errar poderá corrigir e melhorar. Pouco a pouco vai acreditar nas suas capacidades e ter uma maior inteligência emocional.
8 – Aceitar a tristeza. A inteligência emocional promove todas as emoções, incluído a tristeza, a raiva, entre outros. Quando estas surgem, temos de aproveitar a oportunidade para ensinar a geri-las. Por exemplo, lembrar-se dos aspetos positivos quando estamos num momento de tristeza, respirar fundo quando estamos enraivecidos ou fazer uma pausa quando chega a frustração.
9 – Estar presente. No meio das nossas vidas agitadas de pais, temos de encontrar formas de criar uma ligação emocional forte com o nosso filho. Por vezes, basta um pequeno olhar, um sorriso ou um piscar de olho para mostrar que o percebemos. O nosso filho vai compreender que não está sozinho e vai sentir-se mais seguro. Devemos interessar-nos naquilo que ele faz, tentar perceber o que o incomoda e lembrar-nos (e a ele também) aquilo que faz bem. Todos estes pequenos gestos farão com que a relação seja mais próxima e promova o diálogo para ajudar na gestão de emoções positivas e negativas, ou seja a inteligência emocional.
10 – Reconhecer as emoções. A empatia é a forma de reconhecer as suas emoções e as de outra pessoa em diferentes situações. É importante treinar a empatia do nosso filho. Peça ao seu filho para fazer diferentes caras num espelho e para identificar as respetivas emoções. Pode também aproveitar o mesmo jogo quando vê um desenho animado ou lê uma história. Perguntar “O que achas que ele sentiu?” ajuda a colocar-se no lugar do outro. Falar com o nosso filho sobre o que os outros sentem permite a consciencialização das relações e do seu lado emocional.
11 – Promover a autonomia. Um dos numerosos deveres de pais é tornar o nosso filho autónomo. Desde pequeno podemos incentivar a tomada de decisões, como por exemplo com a escolha da roupa ou dos sapatos. Ter de decidir o que fazer é essencial para desenvolver a capacidade de escolha, a autonomia e a confiança, ou seja o lado emocional. Inicialmente, daremos duas ou três opções de escolhas para facilitar. Ao longo do crescimento, as opções são aumentadas tal como o motivo da decisão.
12 – Ouvir o seu corpo. O nosso corpo é o reflexo da nossa mente. Ao observarmos como o nosso corpo reage em determinadas situações, conseguimos associar os sintomas físicos à parte emocional. Ao obter dados concretos, torna-se mais simples identificar as emoções e lidar com elas. Cuidar do nosso corpo é uma forma eficaz de cuidar da nossa mente. Por exemplo, aliviar as tensões musculares, irá relaxar-nos. Assim, incentive o seu filho na prática de exercício físico ou de meditação para desenvolver a inteligência emocional.
13 – Aprender com o erro. Ninguém é perfeito e por isso toda a gente erra. Os erros são essenciais para aprender a seguir em frente. Os erros fazem parte da vida e por isso é necessário falar deles sobre a forma como devemos lidar com eles. Somos um ponto de referência na vida do nosso filho e falar com eles sobre os nossos próprios erros e das lições que aprendemos com eles permite tornar-nos mais humanos, ou seja, ser mais emocional.
