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Como fazer contas rápido?

Fazer contas de cabeça parece algo que só mesmo os génios da matemática são capazes de fazer. Mas não é bem assim.

Sabia que muitos alunos portugueses têm muitas dificuldades na disciplina da matemática? Mas também sabia que somos quem tem arrecadado mais prémios de matemática por esse mundo fora no que toca ao raciocínio matemático e ao cálculo mental? Por vários anos consecutivos, alunos portugueses ganharam a medalha de ouro em competições internacionais de matemática. Como é isto possível?

Desde o início deste século, os professores de matemática e as equipas responsáveis pelos programas de matemática têm feito uma grande aposta no desenvolvimento do cálculo mental nas aulas de matemática. É por isso que as contas nas aulas de matemática dos nossos filhos nos parecem tão diferentes do que aprendemos nos nossos tempos de escola.

Neste artigo, fique a saber o que é o cálculo mental, quais os seus benefícios para o dia a dia e no final apresentamos-lhe várias estratégias para ser mais rápido que a calculadora a fazer contas. Mas antes, é preciso saber qual a idade ideal para começar.

Qual a idade ideal para começar?

No Programa de Matemática do Ensino Básico, que entrou em vigor em 2007, pode ler-se “O cálculo mental tem de ser desenvolvido desde o início do 1º ciclo e está intimamente relacionado com o desenvolvimento do sentido de número.”

Desta forma, deve começar logo de tenra idade. Assim que começamos a ensinar os nossos filhos a fazer contas e a ter noção dos números e das quantidades, já estamos a estimular o cálculo mental.

Qualquer situação do dia a dia pode ser uma oportunidade para estimular esse cálculo. Por exemplo, quando for às compras e pagar com dinheiro, peça ao seu filho para verificar se o troco está correto. Ou quando estiver a preparar-se para sair de casa, pergunte ao seu filho quanto tempo ainda tem até sair. Vai de viagem e o seu filho passa o tempo a perguntar quanto falta para chegar? Indique-lhe a distância percorrida e a distância total e pergunte-lhe quanto ainda falta a percorrer. Está na cozinha a preparar refeições, peça-lhe uma certa quantidade de um ingrediente qualquer. Com estas pequenas tarefas vai estimulando a destreza mental do seu filho e fazendo com que ele tenha uma melhor consciência dos números.

O ideal é começar de pequenino. No entanto, é possível começar a desenvolver o cálculo mental em qualquer idade, mesmo para quem tem ou teve insucesso na disciplina de matemática durante o seu percurso escolar. Só precisa de ter a mente aberta e começar com as estratégias mais simples para fazer contas. Veja mais à frente, no desenvolver deste artigo.

O que é o cálculo mental?

Quando falamos em fazer contas, temos várias formas de o fazer. Podemos ir logo para a mais utilizada por todos: a calculadora. Mas nem sempre nos é possível utilizá-la. Imagine que tem de tirar a calculadora cada vez que quer verificar se o troco está correto? É no mínimo embaraçoso.

Fazer as contas em pé num papel é outra hipótese, mas nem sempre temos papel por perto.

Podemos ainda optar por estimar os resultados. É uma forma eficaz de ficar com uma noção dos números, por exemplo para saber se tem dinheiro suficiente para pagar as compras do carrinho no supermercado.

O cálculo mental é, talvez, a forma mais rápida e eficaz, mas também a mais intimidante. Este medo surge principalmente nos adultos que estão a (re)começar a treinar as contas, mas também nas crianças que têm dificuldades na disciplina de matemática.

O cálculo mental, ao contrário das contas em pé, trabalha com os números e não com os algarismos. Este tipo de contas recorre ao uso das propriedades das operações e das relações que existem entre os números. Para se desenvolver o cálculo mental é preciso ter noção do número e ter um bom conhecimento de características numéricas básicas, tais como saber o dobro, o triplo, metade, as somas e diferenças dos números até dez. Para fazer cálculo mental pode recorrer-se ao papel para fazer registos de contas intermédias.

Podemos então deduzir que o cálculo mental não é apenas fazer umas contas de cabeça nem é decorar resultados, mas sim recorrer a estratégias para rapidamente chegar a resultados mais complexos.

7 benefícios do cálculo mental

O cálculo mental tem imensas vantagens, quer na escola, enquanto aluno, quer no dia-a-dia de qualquer pessoa. Através do cálculo mental conseguimos chegar mais rapidamente ao resultado de quaisquer contas, mesmo sem calculadora.

Assim, o cálculo mental…

Facilita o seu dia a dia, uma vez que estamos constantemente a ser confrontados com pequenas contas, numa ida ao supermercado ou mesmo à mercearia do lado. Quando pagamos algo em dinheiro e queremos verificar o troco, entre muitas outras situações.

Desenvolve a sua autoestima, pois reconhece-se capaz de resolver contas simples. Com prática até pode ser capaz de ser mais rápido que a sua própria calculadora.

Agiliza o seu raciocínio, tornando-o mais rápido e eficaz na resolução de problemas, pois está mais familiarizado com as operações e as suas propriedades.

Facilita a tomada de decisões. Com o cérebro treinado para fazer contas rapidamente, também consegue facilmente encontrar o caminho para a solução de alguns problemas e assim decidir qual o caminho mais rápido a seguir.

Desenvolve a curiosidade. À medida que for descobrindo estratégias e truques que lhe facilitam as contas, vai procurar mais e mais. Para além de se sentir mais capaz de fazer jogos de quebra-cabeças, cubos mágicos ou sudoku, entre outros jogos de raciocínio.

Melhora a concentração. Para fazer cálculo mental é necessário estar focado nos seus pensamentos, caso contrário perde o fio à meada e já não sabe que contas queria fazer.

Aumenta a capacidade de memorização. Os métodos e estratégias de contas são imensos. Para se ser ágil no cálculo mental é necessário memorizar várias estratégias.

Resumindo, ao desenvolver o cálculo mental vai também melhorar a sua forma de pensar, de memorizar tal como a sua capacidade de análise e de síntese.

Como começar?

O cálculo mental é a ginástica do nosso cérebro. Tal como qualquer pessoa que começa a correr, não começa logo pela maratona, mas por pequenas corridas. Também no cálculo mental é necessário começar devagar e com contas simples. Comece pelo básico, com simples adições depois passe à subtração e em seguida aventure-se pela multiplicação e por aí além.

Comece por se libertar da calculadora e acreditar que consegue fazer as contas de cabeça. No início, pode verificar o resultado na calculadora. Quando sentir que já está a acertar mais rapidamente nos resultados, coloque de vez a calculadora de lado.

Na medida em que se sentir mais capaz, aumente o grau de dificuldade e faça contas mais complexas.

Treine todos os dias um pouco, não precisa de mais de dez minutos e nem precisam de ser seguidos. O nosso cérebro precisa de prática constante e regular para que o cálculo mental seja tão natural como andar de bicicleta.

Com a prática ainda se torna mais rápido a fazer as contas de cabeça do que a clicar nas teclas da calculadora.

Como ser mais rápido que a calculadora?

Existem muitas estratégias de cálculo mental. É como ir a Roma: há muitos caminhos diferentes, mas o destino é o mesmo. Também no cálculo mental há muitos caminhos diferentes, mas o resultado é o mesmo.

Todas as estratégias de contas se baseiam nas regularidades dos números e nas propriedades das operações.

Cada pessoa pode utilizar as suas próprias estratégias ou abordagens sobre como fazer as contas, dependendo do seu conhecimento da simplificação das operações e das propriedades dos números.

Vamos deixar aqui alguns links para estratégias das várias operações, é possível que conheça algumas e outras sejam totalmente novas ou mesmo inesperadas.

Estratégias de cálculo mental para a adição e subtração.

O nosso cérebro é uma máquina fantástica. É capaz de executar muitas tarefas diferentes, desde as mais simples às mais complexas. Mas para fazer as tarefas mais complexas, precisa de alguma elasticidade que é adquirida com o treino. Quanto mais treinar e quanto mais cedo começar, melhor. Mesmo em adulto, o nosso cérebro consegue continuar a evoluir. Por isso, treine mais e mais o seu cálculo mental, pelo menos dez minutos por dia.

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