A chegada dos resultados dos testes é sempre um momento tenso tanto para os pais como para os filhos. Do ponto de vista dos filhos, existem duas possibilidades: ou os resultados são bons e os pais ficam satisfeitos ou os resultados são maus e os pais tomam medidas. Mas será assim tão linear? Devemos reduzir a nossa reação a uns meros números na pauta ou ter também em conta outros fatores?
De facto, os bons resultados são muitas vezes recompensados com prendas materiais e as negativas são castigadas com a proibição. Este tipo de atitude revela que os pais valorizam mais os resultados finais do que todo o processo de aprendizagem dos filhos. Por isso, é necessário ter cuidado com aquilo que efetivamente é premiado ou castigado, ou seja, os valores que se pretende reforçar nos nossos filhos.
Neste artigo, tentaremos responder a cinco perguntas essenciais para lidar com os resultados do nosso filho. Não temos uma solução mágica, mas algumas orientações para ajudar os pais. Lembre-se que cada filho é único.
1 – Como reagir a uma negativa?
Quando e se o nosso filho chegar a casa com uma negativa, antes de mais, devemos respirar fundo e tentar perceber o porquê deste resultado. É importante falarmos com o nosso filho e perguntar-lhe se sabe as causas deste resultado. Um dos objetivos desta conversa é perceber se o nosso filho tem consciência do seu método de estudo e daquilo que pode mudar para melhorar o próximo resultado.
Devemos igualmente falar com os professores para conhecer outra perspetiva do problema. Temos de ter em conta as recomendações dos professores para subir os resultados seguintes.
2 – O que não fazer?
Devemos evitar gritar com o nosso filho sem perceber a verdadeira causa daquela negativa. Também não é aconselhável ignorar ou desvalorizar o resultado para não passar a mensagem que estamos despreocupados com o percurso escolar do nosso filho. As comparações com os irmãos e os colegas podem ser prejudiciais, pois cada um tem as suas dificuldades e capacidades.
Relativamente aos bons resultados, as comparações são igualmente desaconselhadas, porque podemos desconhecer o nível de exigência dos professores ou das capacidades dos colegas. As recompensas materiais pelos bons resultados podem trazer consequências negativas. O uso em demasiada da recompensa leva o nosso filho a desejar ter bons resultados só pela prenda ou pelo dinheiro que irá receber. Pode inclusive ser um meio de chantagem contra os pais.
3 – Quais os valores a reforçar?
Independentemente dos resultados, é essencial promovermos o desenvolvimento de certos valores como o empenho, a dedicação, o esforço e a autonomia dos nossos filhos. Todos estes valores devem ser reforçados ao longo do estudo. Para isso, o gosto de aprender e a valorização do trabalho devem ser estimulados nos nossos filhos logo em pequenos, pois são fatores importantes para se desenvolverem enquanto adultos. O objetivo é mostrar-lhes que ao estudarem agora terão um melhor futuro. Assim, a motivação, o esforço e o empenho têm de ser valorizados tanto ou mais do que os resultados finais.
Para aumentar a autoestima, o elogio é o melhor método, melhor do que a prenda. A recompensa material pelas bons resultados vai confundir o nosso filho quanto àquilo que é de facto premiado.
4 – Como castigar?
Se as causas da negativa foram o desleixo e a falta de interesse, então devemos dar um castigo ao nosso filho para que ele perceba que as suas ações têm consequências. O nosso filho tem de saber exatamente o porquê do castigo, isto é, está a a ser castigo não pelo mau resultado em si, mas sim pelo desinteresse e a falta de empenho nos estudos. Esta é uma forma também de o nosso filho adquirir um certo sentido de responsabilidade.
É igualmente importante que ambos os pais estejam de acordo tanto em castigar como no castigo a aplicar de modo a não se desautorizarem um ao outro. O castigo tem de ser proporcional ao desleixo que provocou os maus resultados e convém estar relacionado com o estudo, como por exemplo, fazer um esquema da matéria ou organizar os cadernos.
5 – Como recompensar?
Recompensar não é obrigatoriamente sinónimo de dar prendas materiais. Recompensar pode e deve passar pelos elogios, pelo reconhecimento e pelo incentivo em melhorar. Devemos motivar os nossos filhos a estudar, principalmente a esforçar-se. Recompensar através do reforço afetivo aumenta a autoestima do nosso filho. Mostrar-lhe que temos orgulho no seu empenho e na sua dedicação ao trabalho permite que desenvolva positivamente a sua personalidade. É de salientar que os resultados não são imediatos pelo que devemos ter paciência e mostrar ao nosso filho que reconhecemos o seu esforço, o que é meio caminho para não desistir.
Como é óbvio, ninguém nos proíbe de darmos prendas materiais pelos resultados escolares do nosso filho desde que esta não seja a razão para estudar. É sempre preferível uma atividade em família ou com os amigos, um passeio ou um dia sem estudar. Recompensar é sempre benéfico quando é imaterial e pessoal. Se optarmos por recompensar com uma prenda deverá ser pontualmente e bem pensado para não se tornar o oposto do pretendido.
