Ser mãe é difícil. São desafios constantes e uma pressão crescente para ver os nossos filhos bem-sucedidos nos estudos, no trabalho e nos seus novos projetos ao longo da vida. Para isso, alguns valores têm de ser desenvolvidos, tal como a responsabilidade. Os nossos filhos têm de ser responsáveis pelas suas ações, mas também pelos seus atos. Precisamos de ser pacientes e perseverantes. É essencial comunicar com os nossos filhos de modo a que percebam a importância de assumir as responsabilidades e aceitar as consequências.
As responsabilidades têm de ser incutidas desde novos, adequando as obrigações à idade dos nossos filhos. Com a adolescência, a situação complica-se, uma vez que os jovens estão concentrados no presente e na sua vida social enquanto que os pais estão preocupados com o futuro deles. As responsabilidades devem ser conciliadas com o desejo de liberdade dos nossos filhos, aumentando a dificuldade da nossa tarefa.
1 – Quais são as responsabilidades dos filhos?
A responsabilidade é um valor que se vai adquirindo desde a infância até sensivelmente o início da idade adulta. As responsabilidades desenvolvem-se em casa e reforçam-se na escola. Incutir responsabilidades precisa de muita dedicação da nossa parte, pois é uma tarefa a longo prazo. A adolescência põe muitas vezes à prova este valor devido às mudanças de prioridades dos nossos filhos. Mas é necessário insistir, pois ter responsabilidades permite um desenvolvimento humano mais forte e obter um maior controlo da sua vida.
Tudo começa com a ideia de compromisso. Cumprir com os compromissos gera confiança e tranquilidade nos nossos filhos. Assim, a base das responsabilidades está ligada à obrigação e ao dever.
Ter responsabilidades implica agir consoante as regras de uma determinada comunidade como a família, a escola ou o clube desportivo. Assim, os nossos filhos têm de cumprir os deveres e respeitar os direitos de toda a comunidade. Caso as responsabilidades não sejam assumidas, temos de ensinar os nossos filhos a serem sinceros e a não desviar as culpas para cima dos outros.
Sendo assim, concretamente, como vemos se os nossos filhos são responsáveis? As responsabilidades podem ver-se através das seguintes ações:
- Fazer as tarefas em casa e na escola sem estas constantemente a relembrar;
- Não culpabilizar sempre os outros;
- Conseguir escolher entre várias alternativas;
- Brincar e/ou estudar sozinho sem angústias;
- Decidir de forma diferente do seu grupo;
- Conhecer e respeitar os limites impostos pelos pais e professores, sem rebeldia;
- Concentrar-se em tarefas complexas;
- Cumprir com a sua palavra;
- Reconhecer os seus erros e tentar corrigi-los.
2 – Vantagens da responsabilidade
Os nossos filhos devem assumir as suas responsabilidades desde pequenos e desenvolvê-las ao longo da vida. Cumprir com as suas responsabilidades vai permitir que cresça o sentimento de orgulho e satisfação por si próprio.
Juntamente com o valor de responsabilidade, o conceito de liberdade também é desenvolvido. Cumprir com as suas responsabilidades à força não é benéfico. Tem de existir um diálogo entre pais e filhos para estes perceberem que as responsabilidades têm de vir da vontade própria deles.
3 – Problemas da falta de responsabilidades
Não ser responsável ou não assumir responsabilidades pode causar vários problemas, como a procrastinação e a desorganização. Adiar constantemente as tarefas para mais tarde é prejudicial na vida de um estudante, mas também na vida profissional. Uma má organização do seu tempo e das suas atividades gera frustrações e ansiedades que podem destruir vidas.
A falta de responsabilidades dos nossos filhos pode provocar dificuldades em traçar objetivos claros e em realizar tarefas mais complexas. Estas competências são essenciais para a vida adulta.
4 – Como desenvolver a responsabilidade?
Devemos sem qualquer dúvida, enquanto pais, incentivar os nossos filhos a terem responsabilidades no seu dia a dia. Esse valor, incutido no seio familiar, ficará para o resto da vida como uma mais valia. Então, como fazer o nosso filho ter responsabilidades?
Começar desde pequeno
Quando começar? Já! O ditado já dizia “de pequenino se torce o pepino.” Por isso, devemos pedir ajuda aos nossos filhos desde cedo. Começamos com tarefas simples em casa para criar hábitos para aos poucos sentirem-se integrados e mais seguros. Depois, é entregar-lhes as responsabilidades da tarefa.
Podemos começar com a imitação dos nossos atos. É mais fácil aprender a fazer quando vemos os outros e tentamos fazer ao mesmo tempo. Assim, podemos pedir aos nossos filhos pequenos para arrumar connosco os brinquedos ou para separar e arrumar a roupa. Com o crescimento, vamos envolvê-los na organização do material escolar no início do ano letivo, mas também no dia a dia. Podemos usar a mesma técnica para a preparação da roupa e assim ter manhãs sem birras.
Tarefas
Para desenvolver as responsabilidades dos nossos filhos, é necessário explicar-lhes a importância de assumir as suas responsabilidades. Tal pode ser feito através da atribuição de tarefas, por mais pequenas que sejam. Estas tarefas de casa devem ser adequadas à idade dos nossos filhos e não podem incluir os trabalhos da escola, porque estas últimas são obrigações.
Estabelecer regras
O funcionamento da nossa sociedade baseia-se no cumprimento de deveres e de direitos. Assim, o ideal é começar em casa com o mesmo sistema através das tarefas domésticas, por exemplo, colocar e arrumar a mesa ou cuidar do animal de estimação. A definição de regras deve ser clara, tal como os seus limites. Cada regra é criada consoante a idade dos nossos filhos de modo a não gerir frustrações. Os nossos filhos têm de perceber exatamente que responsabilidades esperamos deles e quais as consequências em caso de não cumprimento.
No início, o ideal será escrever as regras e colocá-las num local visível em casa. Desta maneira, os filhos sabem exatamente o que fazer e sentem-se mais motivados para cumprir com as suas responsabilidades. Para os mais jovens, podemos complementar esta técnica com um sistema de pontos através de emojis ou estrelas. Estabelecemos um objetivo de pontos e uma vez atingido, é atribuída uma recompensa. Os pontos podem ser positivos ou negativos em caso de não cumprir a tarefa.
Com esta dica, o importante é a coerência entre aquilo que é dito e o que é feito. Sem coerência, os nossos filhos ficam ansiosos e confusos. Efetivamente, impor regras só porque sim, não funciona. É essencial explicar quais os comportamentos esperados para cada situação. Desta forma, os nossos filhos não nos veem a nós pais como ditadores, mas sim com responsabilidades.
Dar liberdade
Enquanto pais é importante mostrar o caminho aos nossos filhos, mas também dar-lhes espaço para serem livres. Os nossos filhos devem sentir-se livres para que possam ter responsabilidades pelas consequências, boas ou más, dos seus atos. Caso contrário, ainda vamos ouvir frases como “Tu é que me disseste para fazer isto!” Assim, quando os nossos filhos adolescentes escolhem o seu caminho, aumentam a independência e as responsabilidades aos poucos.
No início do processo, podemos relembrá-los do combinado, mas pouco a pouco terão de ser autónomos e fazer as tarefas por iniciativa própria. É importante que os nossos filhos cumpram com o combinado, mesmo que sejam com alguns erros. Há que aceitar estes erros com humildade e fazer com que nossos filhos voltem para o caminho certo. Ter responsabilidades implica uma relação saudável com os outros, mas principalmente consigo próprio.
Uma forma destes valores crescerem nos nossos filhos é através do voluntariado. O trabalho voluntário implica a tomada de decisões, assumir responsabilidades e iniciativas em prol de uma comunidade. Este tipo de atividade permite aos nossos filhos terem uma nova perspetiva da vida e conhecerem pessoas em situações mais vulneráveis ou em perigo, mas com os mesmos interesses. O voluntariado é uma tarefa construtiva para os nossos filhos adolescentes porque desenvolve a empatia, a solidariedade e a humildade. Torna-os adultos com maior inteligência emocional.
Recompensar pelas responsabilidades
Quando existe uma boa ação, tem de existir uma recompensa e vice-versa. No entanto, esta recompensa não tem de ser obrigatoriamente material ou cara. Um reconhecimento verbal ou uma atividade especial causam tanto ou mais impacto do que um brinquedo novo. Temos de estabelecer metas com os nossos filhos e, quando atingidas, podemos combinar uma ida ao cinema, uma história especial na hora de ir para a cama ou uma saída a dois.
Demonstrar aos nossos filhos que temos tempo para eles, que lhes damos atenção e que nos preocupamos com o seu futuro podem ser o suficiente para eles sentirem satisfação e que ter responsabilidades é bom.
5 – O que não fazer?
Superproteger
Não há quaisquer dúvidas que amamos os nossos filhos incondicionalmente, mas isso não significa que temos de fazer tudo por eles. A nossa superproteção é prejudicial a médio e longo prazo por várias razões.
Primeiro, não estaremos sempre na vida dos nossos filhos para ter as responsabilidades de arrumar o quarto ou a roupa. As tarefas domésticas terão de ser assumidas por eles numa determinada altura da vida. Segundo, ao fazermos tudo no lugar deles, estamos a passar a mensagem que não são capazes e a subestimar as competências deles. Por fim, estamos a incentivar a preguiça deles, uma vez que as tarefas acabam por aparecer feitas.
Assim, temos de lhes dar autonomia para cumprir com as suas responsabilidades e não realizar as tarefas deles. Se o nosso objetivo é os nossos filhos terem responsabilidades, então temos de lhes dar espaço para tal acontecer, caso contrário de nada serve.
Ganhar essa autonomia implica não estarmos constantemente a relembrar-lhes os seus compromissos e ficarem sempre à espera que alguém lhes diga algo para agir. Tal pode se tornar um mau hábito e uma dependência. Depois de explicado, temos de os deixar agir por eles, por mais difícil que seja para nós.
Ser incoerente
Uma das formas de perdermos autoridade perante os nossos filhos, é não respeitarmos as nossas próprias regras. Os deveres e regras devem ser respeitados por todos em casa, sem exceção. Caso contrário, passamos a mensagem que os nossos filhos também podem fazer o mesmo.
Outra forma é deixar impunido o não cumprimento das responsabilidades. Desta maneira, perdemos a nossa credibilidade. Quando as responsabilidades são atribuídas com as devidas consequências em caso de não cumprimento, temos a obrigação de aplicar essas mesmas consequências.
Pressionar
Queremos o melhor para os nossos filhos, mas assumir responsabilidades não é algo que se aprende de um dia para o outro. É um longo caminho. Por isso, é conveniente não sobrecarregar os nossos filhos com demasiadas responsabilidades logo de início para evitar criar ansiedade e excesso de pressão nocivo para a saúde.
Uma vez que o processo é longo, é normal que haja erros. Erros esses que os nossos filhos terão de assumir e corrigir, mas não obrigatoriamente sozinhos. Além de ensinar os nossos filhos a terem responsabilidades, também devemos mostrar-lhes como podem chegar a uma solução e controlar as consequências dos seus erros.
