o papel da família na vida dos filhos
Parentalidade

O papel da família na vida dos filhos

Desde 1994, todos os anos a 15 de maio, é celebrado o dia internacional da Família. Com esta data, a Organização das Nações Unidas (ONU) pretende salientar a importância do papel da família na vida dos filhos, pois é a estrutura de base no crescimento de uma criança porque fornece proteção e segurança. Uma criança precisa de amor, respeito e compreensão. Estes valores são aprendidos no seio da sua família.

No seio da família sentimo-nos amados, seguros e confiantes. O amor que nasce com cada novo membro da família é a cola que garante a união da família ao longo de várias gerações. Este amor também é responsável pela garantia de segurança e de confiança, pois quem ama cuida.

O amor entre pais e filhos é um instinto natural. Por isso, os pais preocupam-se tanto com o futuro dos seus filhos e criam tantas espetativas. Para dar resposta a estas espetativas, inscrevem o filho em diversas atividades desportivas e artísticas suplementares à escola. O objetivo é dar-lhes vantagens para o futuro mercado de trabalho. Mas será a família apenas isto?

A família é mais do que isso. A família educa as crianças, ou seja, transmite valores essenciais e mostra os comportamentos adequados. No seio da família, as crianças aprendem a ser bons adultos. Com ajuda da família, os jovens vão descobrindo quem são e criam a sua própria identidade. A primeira socialização começa com os membros da família.

Desta forma, a família é a estrutura que aumenta a qualidade de vida de qualquer pessoa. Através deste grupo, maior ou menor, a criança cresce.

Definição de família

É importante relembrar que a definição de família está a evoluir e a adaptar-se a diferentes realidades sociais. Independentemente da orientação sexual, dos pais estarem divorciados ou casados pela segunda vez, dos avós terem assumido a responsabilidade de pais, a estrutura familiar de base tem de continuar presente para as crianças envolvidas. Todas estas novas famílias continuam a ser famílias com o objetivo de educar os seus filhos como bons cidadãos.

A família e os adolescentes

Na altura da adolescência, o seu filho procura criar ou até desenvolver uma vida social fora do mundo familiar. Esta outra faceta da vida do seu filho vem complementar a já existente na vida com a família. Os adolescentes procuram atenção e respeito por parte dos seus parceiros. Se na família, o adolescente se sentir amado, respeitado e tiver atenção dos pais, então a vida social só poderá ser saudável. Caso contrário, o adolescente poderá entrar no mundo de dependências e comportamentos desadequados.

Assim, a família deve manter um diálogo constante e aberto para que todos os membros se sintam unidos. Mesmo com uma vida social ativa, a família é a base insubstituível para a formação de uma identidade própria dos jovens.

Benefícios da família na vida dos filhos

Competências essenciais para a vida adulta

Determinadas competências são essenciais para uma vida adulta saudável. Estamos a falar de competências como falar antes de agir ou ser capaz de superar as suas frustrações. Através de situações que ocorrem na família ou fora dela, mas depois discutidas em famílias, as crianças aprendem a lidar com as perdas e a reagir de forma mais adequada. O trabalho em equipa é outra capacidade que é aprendida em família através do exemplo das partilhas de tarefas domésticas. A comunicação dentro da família permite o desenvolvimento da empatia, isto é, de colocar-se no lugar do outro e respeitar perspetivas diferentes.

É importante fazer a diferença entre as competências que são dadas pela família daquelas que são dadas pela escola. A escola tem obrigação de fornecer competências científicas, ou seja, o saber. No entanto, competente à família ensinar competências básicas de boa convivência, como não deitar lixo no chão e pedir “se faz favor”.

Desenvolvimento intelectual

A família deve desenvolver a inteligência das crianças desde muito pequeno graças a atividades adequadas à idade. A família estimula a criança no desenvolvimento das habilidades mais básicas como aprender a andar, mas também a falar e pensar. Crescer num ambiente estimulante onde existem pequenos desafios diários permite aumentar a capacidade de raciocínio e de resolução de problemas.

Criação de uma inteligência emocional

O desenvolvimento da inteligência não se deve limitar à inteligência lógica. A família é o melhor caminho para criar e desenvolver um bem-estar emocional nas crianças. Educar as emoções previne as depressões, o stress e ajuda na gestão de ansiedade. Pode parecer algo enorme a realizar, mas basta dedicação e disponibilidade para todos os membros da família para a inteligência emocional começar a crescer.

É essencial seguir o lema de uma mente sã num corpo são desde pequeno. As crianças têm assim uma autoestima valorizada e saudável. Para isso, os pais devem assumir o seu papel e as suas responsabilidades para que se crie um equilíbrio e harmonia no seio da família.

Socialização

A família é a primeira forma de sociedade com quem as crianças convivem. Os comportamentos no seio da família são depois repetidos e adaptados no meio escolar. Assim, cabe à família mostrar e ensinar o respeito pelo outro, a partilha e as regras de convivências em grupo. A família não deve aceitar todos os pedidos dos filhos e evitar as suas frustrações. Pelo contrário, aprender a lidar com os obstáculos da vida é uma capacidade adquirida com a família.

Mais tarde, na adolescência, a família torna-se um porto seguro para onde os jovens podem voltar em caso de problemas na vida social.

Resultados escolares

A família e a escola são complementares. Ao longo de todo o percurso escolar das crianças, a família deve acompanhar a aprendizagem e manter uma comunicação regular com os professores. As crianças sentem a atenção de todos e acabam por empenhar-se mais nas atividades escolares.

As famílias que prolongam as aprendizagens da escola em pequenas tarefas do quotidiano, como calcular o troco numa ida às compras ou jogar às rimas para aumentar o vocabulário, ajudam na subida dos resultados escolares.

Escolha profissional

A família tem uma forte influência direta e indireta na escolha de carreira que os adolescentes fazem. Existem dois momentos específicos no vida de um aluno para fazer esta escolha. O primeiro é o 9º ano quando o aluno tem de escolher em que área fará o ensino secundário. Quando as incertezas são muitas, os jovens viram-se para a família à procura de conselhos. O segundo momento é na altura de escolher o curso para a faculdade.

São muitos os pais que influenciam a escolha de carreira com base nos seus gostos e nos seus ideais para o futuro profissional dos seus filhos. Esta escolha gere muitas expetativas tanto do próprio filho como da família. Por vezes, alguns pais desejam que o filho siga a mesma carreira ou escolha uma determinada via em vez de outra. É importante lembrar que esta escolha é pessoal e que a família pode aconselhar, mas não impor. Mesmo que a primeira escolha não seja um sucesso, a família deve apoiar e conversar com o jovem de modo a que este perceba o erro e faça uma melhor escolha à próxima.

A família vai muito além dos simples cuidados básicos como a saúde e a segurança. A família é o primeiro contacto que as crianças têm com o mundo e é nela que aprendem a ser humanas.

Poderia perguntar se existem famílias perfeitas. A resposta é que a sua família é perfeita para si, com todas as suas qualidades e defeitos. Aproveite ao máximo as qualidades da sua família.

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